Um bebê de apenas nove meses viveu momentos de extrema gravidade no fim da manhã deste domingo (22), em Miranda, município localizado a 212 quilômetros de Campo Grande. A criança se engasgou com um pedaço de frango e precisou ser salva por uma equipe do Corpo de Bombeiros Militar após chegar ao quartel com as vias aéreas completamente obstruídas.
Segundo nota oficial, a família levou o bebê às pressas até a unidade já em estado crítico. A criança apresentava cianose — pele arroxeada devido à falta de oxigenação — e não respondia a estímulos verbais ou motores, sinais clássicos de obstrução total das vias aéreas.
Imediatamente, os militares iniciaram o protocolo de desobstrução para lactentes, aplicando tapotagens interescapulares — técnica que consiste em golpes firmes nas costas do bebê, entre as escápulas, com o objetivo de expulsar o corpo estranho. No segundo ciclo das manobras, houve sucesso: o alimento foi deslocado, o bebê voltou a respirar e apresentou abertura ocular. Após estabilização ainda no quartel, a criança foi encaminhada ao Hospital Renato Albuquerque Filho, onde permaneceu sob cuidados médicos.
Imagens das câmeras de segurança do quartel registraram o momento em que dois homens chegam com o bebê nos braços e são prontamente atendidos pelos bombeiros, que abriram o portão e iniciaram os procedimentos sem demora.
Dinâmica do acidente
O engasgo teria ocorrido enquanto a mãe preparava o almoço. Após servir frango à filha mais velha, a irmã teria oferecido um pedaço à bebê. Instantes depois, a mãe percebeu que a criança apresentava dificuldade respiratória e começava a desfalecer.
Familiares tentaram realizar manobras de desengasgo, mas não obtiveram êxito. Diante da gravidade do quadro, conseguiram carona com um vizinho e seguiram imediatamente ao quartel. A estimativa é de que aproximadamente 10 minutos tenham transcorrido entre o início do engasgo e a chegada à unidade de resgate — intervalo que pode ser determinante entre a vida e a morte em casos de asfixia.
A importância dos primeiros socorros em casos de engasgo
O episódio reforça a necessidade de conhecimento básico em primeiros socorros, especialmente em residências com crianças pequenas. Em lactentes, pedaços de alimentos sólidos, como carne e frango, representam alto risco de obstrução total das vias aéreas, pois a musculatura mastigatória e a coordenação de deglutição ainda estão em desenvolvimento.
Em situações de engasgo com obstrução completa, os sinais incluem:
- Incapacidade de chorar ou emitir sons;
- Dificuldade ou ausência de respiração;
- Coloração azulada da pele e lábios;
- Perda de consciência.
Nesses casos, é fundamental acionar imediatamente o socorro especializado — seja dirigindo-se ao quartel mais próximo ou ligando para o número de emergência — e iniciar as manobras adequadas, se houver conhecimento técnico. Para bebês menores de um ano, não se deve realizar a manobra de Heimlich convencional utilizada em adultos; o procedimento correto envolve ciclos de tapotagens nas costas intercaladas com compressões torácicas específicas.
A agilidade da família em buscar ajuda junto aos bombeiros e o atendimento rápido da equipe foram decisivos para o desfecho positivo. Especialistas alertam que a falta de oxigenação por poucos minutos pode causar sequelas neurológicas graves ou levar ao óbito.
O caso em Miranda serve de alerta: além da supervisão constante durante a alimentação, é essencial oferecer alimentos adequados à faixa etária e, sempre que possível, que pais e responsáveis participem de cursos básicos de primeiros socorros. Em emergências, cada segundo conta — e saber como agir pode salvar vidas.




















