Intenção de consumo em Campo Grande atinge maior nível desde abril de 2025

27
(Foto: PMCG)

Indicador chega a 109,2 pontos em fevereiro e é impulsionado por famílias de maior renda

O consumo das famílias campo-grandenses voltou a ganhar fôlego em fevereiro. A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) atingiu 109,2 pontos na capital, maior nível desde abril de 2025 e dentro da chamada zona de satisfação — quando o indicador supera os 100 pontos.

O levantamento é da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), com análise do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio MS. Em relação a janeiro, houve crescimento de 2%, puxado principalmente pelas famílias com renda superior a 10 salários mínimos, que alcançaram 122,6 pontos. Já aquelas com renda de até 10 salários mínimos marcaram 106,5 pontos.

Emprego e renda explicam diferença

O recorte por renda mostra desigualdade na percepção do mercado de trabalho. Entre as famílias com ganhos acima de 10 salários mínimos, 64,3% se sentem mais seguras em relação ao emprego do que há um ano. Entre as de menor renda, esse percentual é de 49,9%.

O desemprego também pesa de forma diferente: atinge 9,1% dos lares com renda de até 10 salários mínimos, contra 2% entre os de maior renda.

Na avaliação da renda atual, 45,9% das famílias de maior renda afirmam que a situação melhorou em relação ao ano passado. Entre as de menor renda, o índice é de 35,1%. Já a percepção de piora chega a 18,9% nas famílias que recebem até 10 salários mínimos, ante 11,2% entre as de maior rendimento.

Crédito e consumo

O acesso ao crédito segue como um dos principais pontos de desigualdade. Entre as famílias de maior renda, 23,5% consideram que está mais fácil obter crédito. Entre as de menor renda, apenas 16% compartilham dessa avaliação.

Por outro lado, 28,7% dos consumidores que recebem até 10 salários mínimos relatam maior dificuldade para conseguir crédito — mais que o dobro do registrado entre os de maior renda (13,3%).

O consumo efetivo também avança mais entre quem ganha mais. Nesse grupo, 28,6% afirmam estar comprando mais do que no ano passado. Entre as famílias de menor renda, o percentual é de 20,5%. Já a redução no volume de compras atinge 32,7% dos lares com renda de até 10 salários mínimos, frente a 23,5% entre os de maior renda.

Expectativa para os próximos meses

A tendência se mantém nas projeções. Entre as famílias com renda superior a 10 salários mínimos, 35,7% acreditam que o consumo será maior do que no ano passado. Nas famílias de menor renda, o índice é de 28,3%, enquanto 28,9% ainda projetam retração.

A intenção de compra de bens duráveis também mostra avanço e se aproxima do equilíbrio entre avaliações positivas e negativas. Metade das famílias de maior renda considera que este é um bom momento para adquirir esses produtos, percentual superior ao registrado entre aquelas com renda de até 10 salários mínimos (41,4%).

Para a economista do IPF/MS, Regiane Dedé de Oliveira, o resultado confirma que a recuperação do consumo ocorre de forma desigual. “O consumo reage primeiro entre as famílias de maior renda, que têm maior estabilidade no emprego, renda mais favorável e melhores condições de acesso ao crédito. Para as famílias de menor renda, a recuperação é mais gradual e ainda depende da melhora das condições financeiras e da redução das restrições no orçamento”, analisa.