Irã diz que Estreito de Ormuz segue aberto e promete cooperação com agência marítima da ONU

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Imagem de satélite do Estreito de Ormuz (Foto: Getty Images)

Declaração ocorre após ultimato de Donald Trump e em meio à escalada do conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel

O Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo, voltou ao centro das tensões internacionais neste domingo (22). Em meio ao avanço do conflito no Oriente Médio, o Irã afirmou que está disposto a cooperar com a Organização Marítima Internacional (OMI) para garantir a segurança da navegação e a proteção de marinheiros na região do Golfo.

A declaração foi feita pelo representante iraniano junto à agência marítima da ONU, Ali Mousavi, em entrevista divulgada pela agência estatal Mehr. Segundo ele, o estreito permanece aberto à navegação internacional, com exceção de embarcações ligadas aos “inimigos do Irã”.

De acordo com Mousavi, a travessia pelo Estreito de Ormuz segue possível graças à coordenação de medidas de segurança com Teerã. O diplomata afirmou ainda que o país mantém a diplomacia como prioridade diante da escalada militar na região.

“A diplomacia continua sendo a prioridade do Irã. No entanto, a cessação completa da agressão, bem como a confiança mútua, são ainda mais importantes”, declarou. Ele atribuiu a atual tensão no estreito aos ataques realizados por Israel e pelos Estados Unidos contra o território iraniano.

A manifestação ocorre um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dar um prazo de 48 horas para que o Irã abra completamente o Estreito de Ormuz “sem ameaças”. Segundo Trump, caso isso não aconteça, os EUA poderão atacar e destruir bases energéticas iranianas.

Escalada do conflito

Os Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã desde 28 de fevereiro, quando um ataque conjunto matou o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, em Teerã. Autoridades americanas afirmam que operações militares posteriores destruíram navios, sistemas de defesa aérea, aeronaves e outros alvos estratégicos do país.

Em resposta, o governo iraniano realizou ataques contra alvos em diversos países do Oriente Médio, incluindo Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. Teerã afirma que as ações miram exclusivamente interesses ligados aos Estados Unidos e a Israel nessas nações.

Segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, sediada nos EUA, mais de 1.200 civis morreram no Irã desde o início da guerra. A Casa Branca informou ao menos sete mortes de soldados americanos relacionadas diretamente aos ataques iranianos.

Conflito se amplia na região

A crise também se estendeu ao Líbano. O Hezbollah, grupo armado apoiado pelo Irã, lançou ataques contra Israel em retaliação à morte de Ali Khamenei. Desde então, forças israelenses intensificaram bombardeios contra alvos do grupo no território libanês, deixando centenas de mortos.

Após a morte de grande parte da liderança iraniana, um conselho religioso e político escolheu Mojtaba Khamenei, filho do antigo líder supremo, como novo chefe do regime. Analistas internacionais avaliam que a escolha indica continuidade da atual linha política e de segurança do país.

O presidente americano criticou a decisão, classificando a nomeação como um “grande erro” e afirmando que o novo líder seria “inaceitável” para a condução política do Irã.