Paralisação nacional segue suspensa após medida provisória sobre frete e diesel; reunião com ministro Guilherme Boulos deve ocorrer nesta semana
A ameaça de uma nova paralisação nacional dos caminhoneiros continua no radar, mesmo após o governo federal anunciar medidas para atender parte das reivindicações da categoria. Embora entidades tenham recuado da greve na semana passada, o movimento segue em estado de alerta enquanto negociações com o Palácio do Planalto avançam nos próximos dias.
Representantes dos caminhoneiros devem se reunir ainda nesta semana com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, em mais uma rodada de diálogo aberta após a publicação da medida provisória que trata do piso mínimo do frete e de regras para o setor.
A decisão de não iniciar a paralisação foi tomada durante assembleia realizada na sede do Sindicam (Sindicato dos Caminhoneiros da Baixada Santista), em Santos (SP). Apesar do recuo momentâneo, lideranças afirmam que o movimento permanece ativo.
“Está mantido o estado de greve”, afirmou o presidente da Associação Nacional de Transporte no Brasil (ANTB), José Roberto Stringasci. Segundo ele, a maioria dos participantes defendia a paralisação imediata, mas aceitou aguardar o avanço das negociações por mais sete dias. “Se não houver solução ou sinal positivo do governo, eles vão parar”, disse.
Negociações continuam
A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) informou, em nota, que a paralisação nacional está “por enquanto suspensa”, decisão atribuída à publicação da medida provisória. O presidente da entidade, Paulo João Estausia, o Paulinho do Transporte, afirmou que a categoria agiu com “maturidade, responsabilidade e coerência” ao optar pela negociação.
Segundo a confederação, outros pontos da pauta ainda serão discutidos com o governo e podem ser incluídos como emendas à medida provisória.
A Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) também confirmou a suspensão temporária da greve geral até nova reunião com o Executivo. A entidade destacou que a decisão está condicionada ao avanço das tratativas e ao atendimento das reivindicações pendentes.
Durante a assembleia, o presidente do Sindicam, Luciano Santos de Carvalho, defendeu a manutenção do diálogo após a edição da medida. “Para nós, o piso mínimo é dignidade e qualidade de vida para os caminhoneiros. Se subir o diesel, agora, com as regras dessa MP, o frete subirá também”, afirmou.
O que prevê a medida provisória
Publicada em edição extra do Diário Oficial da União, a Medida Provisória nº 1.343/2026 reforça regras para o cumprimento do piso mínimo do frete no transporte rodoviário de cargas, alterando pontos da Política Nacional de Pisos Mínimos criada em 2018.
Entre as mudanças está a obrigatoriedade do registro de todas as operações por meio do CIOT (Código Identificador da Operação de Transporte), mecanismo que amplia o controle sobre contratos de frete.
A medida também prevê reforço na fiscalização com integração de dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Receita Federal e fiscos estaduais e municipais.
As penalidades para empresas que descumprirem as regras foram endurecidas. Transportadoras poderão sofrer suspensão do registro no Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) e até o cancelamento da autorização para operar por até dois anos. Transportadores autônomos (TACs), por outro lado, não serão alvo dessas suspensões.
As multas aplicadas a contratantes que não respeitarem o piso mínimo passam a variar entre R$ 1 milhão e R$ 10 milhões por operação, além da possibilidade de proibição para contratação de novos fretes. A responsabilização poderá atingir também sócios e integrantes de grupos econômicos.
Na semana passada, o governo também publicou o decreto nº 12.883/2026, que estabelece diretrizes para a definição do preço de referência do diesel, em meio à preocupação com a alta dos combustíveis.
Enquanto o diálogo segue aberto, lideranças da categoria afirmam que os próximos dias serão decisivos para definir se o país enfrentará ou não uma nova paralisação nacional de caminhoneiros.












