Proibição do uso e comercialização de fogos de artifício com barulho ganha força em Corumbá

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Foto: Ascom

Organizações que lutam pela inclusão social de pessoas mais vulneráveis da sociedade e pela causa animal, estão reforçando a necessidade da instituição de uma Lei Municipal que proíbe em Corumbá, a utilização, queima, soltura e comercialização de fogos de artifício e artefatos pirotécnicos que produzam estampido.

Esta semana, mães atípicas e ativistas na luta pela inclusão social, e representantes do Grupo Amor por Patas, participaram de uma sessão ordinária da Câmara Municipal de Corumbá, oportunidade em que manifestaram total apoio ao Projeto de Lei que tramita na Casa, no sentido de proibir a utilização e comercialização de fogos de artifício e artefatos pirotécnicos que produzam estampido.

Trata-se de uma luta antiga do Legislativo corumbaense que, há anos, defende a criação de uma lei nesse sentido, como forma de proteger a saúde, o bem-estar e a dignidade das pessoas mais vulneráveis da sociedade com Transtorno do Espectro Autista (TEA), com deficiência sensorial, idosos, pessoas enfermas e animais domésticos, especialmente cães.

A proposta foi apresentada dias atrás pelo vereador Matheus Cazarin e está em tramitação no Legislativo corumbaense, devendo entrar em pauta nas próximas sessões. Antes de Cazarin, em legislaturas passadas, projetos idênticos já haviam passados pela Casa, de autorias do vereador Yussef Salla e da ex-vereadora Rachel Brink, mas acabaram vetados pelo Poder Executivo.

LUTA REFORÇADA

A necessidade de se tornar Lei Municipal ganhou força nos últimos dias e, durante a sessão do Legislativo, Silvia Vilalva, mãe atípica e ativista pela inclusão social, e Simoni Panovitch Ibrahim, do Grupo Amor por Patas, se manifestaram no Plenário da Câmara, reforçando a luta pela proibição em Corumbá, da soltura e comercialização de fogos de artifício e artefatos com estampidos.

“Fogos de artifício não é alegria, é dor”, afirmou Silvia emocionada, se dirigindo aos representantes do Poder Legislativo e ao público presente, em nome das mães atípicas presentes e de toda a região pantaneira que vivem drama semelhante, com filhos que sofrem com Transtorno do Espectro Autista, além de pessoas que lutam pela causa da proteção animal.

Mãe do pequeno Gabriel, de apenas 13 anos, com TEA, fez um apelo pela inclusão social afirmando que “as famílias atípicas estão aqui, não por acaso. Estamos aqui porque já não dá mais para silenciar a dor. Viemos fazer um apelo, um apelo humano, necessário, urgente, como mãe ativista que luta diariamente pela inclusão”.

Disse se sentir impotente nestes momentos e sempre faz a mesma pergunta: “até quando?”. Ela testemunhou que a soltura de fogos e artefatos com estampido, “não é tradição, é falta de evolução. Se existem alternativas silenciosas, por que insistimos no barulho que machuca?”.

Confidenciou que a esperança que todos carregam está nesse novo Projeto de Lei que tramita na Câmara que, na opinião dela e de todos que estavam no Plenário, precisa passar pela Casa de Leis e ser sancionado pelo Poder Executivo para Corumbá, definitivamente, proibir o uso e a comercialização de fogos de artifício e artefatos com estampido.

“Corumbá hoje tem a oportunidade de escolher: continuar ignorando essa realidade, ou entrar para a história como uma cidade que decide incluir. E essa decisão está nas mãos de cada um dos senhores. Olhem para esse projeto com mais amor, com mais empatia, com mais responsabilidade. Por trás dessa pauta, existem vidas, existem histórias, existem crianças como o meu filho”, pediu torcendo para que nenhuma outra criança precise passar por isso, e que “no próximo Natal, não vou precisar esconder meu filho no quarto, por causa dos fogos”.

ANIMAIS TAMBÉM SOFREM

Simoni Panovitch também destacou a importância do Projeto de Lei, e que está na expectativa de, finalmente se tornar lei em Corumbá, a exemplo do que já ocorre em várias regiões brasileiras e pelo mundo afora.

Revelou que, em razão dos fogos com artifício, principalmente nos finais de ano, “são dias que mais temos problemas com os nossos animais que sofrem muito com o barulho estrondoso, fogem de casa, pulam muros, cercas com concertina, uma reação de fuga que resulta em acidentes, cortes e outros problemas, isso sem contar com o aumento de animais perdidos nesses períodos”.

Observou que não são somente cães e gatos que sofrem com os estampidos provocados pelos fogos de artifício. Animais silvestres também são afetados e isso tem causado problemas em regiões do Pantanal próximas às áreas urbanas.

Destacou que todos devem pensar, ter sensibilidade, e que esta proposta que está na Câmara é de extrema importância, que precisa ser levada à frente e se tornar uma Lei Municipal. “Não somos contra os fogos de artifício. Somos contra o estampido”, concluiu esperançosa com o fato de Corumbá se tornar mais uma região do Brasil, do mundo, a abolir de vez fogos e artefatos com estampidos.