Registro raro feito por fotógrafo mostra a felina Aracy logo após se alimentar; animal é monitorado por projeto de conservação
Uma caminhada silenciosa pela mata pantaneira terminou em um dos registros mais impressionantes da vida selvagem já feitos na região. A onça-pintada Aracy, de 6 anos, foi fotografada com o rosto ainda coberto de sangue logo após, provavelmente, se alimentar de uma presa, em uma cena que evidencia a força e o papel do maior predador das Américas no equilíbrio do ecossistema.

O flagrante foi feito pelo fotógrafo e guia de safári Bruno Sartori, na Fazenda Caiman, em Miranda, no coração do Pantanal. As imagens rapidamente chamaram atenção nas redes sociais pela intensidade do momento e pela expressão marcante do animal logo após a caça.
“O Pantanal te entrega momentos incríveis. Nesse dia, a Aracy tinha acabado de se alimentar e resolveu lembrar a todos em volta que ela é o topo da cadeia”, escreveu o fotógrafo ao compartilhar o registro.
Segundo Sartori, não foi possível identificar qual animal havia sido predado, já que a onça foi avistada caminhando fora do local da caça. O sangue ainda fresco no rosto chamou atenção justamente por ser um registro raro.
“Normalmente elas se limpam muito bem depois de comer. Já vi onças se alimentando de capivara, jacaré e até anta, mas geralmente encontramos o animal já limpo. Foi a primeira vez que consegui fotografar uma onça com tanto sangue no rosto”, contou.
O comportamento da felina também surpreendeu. De acordo com o fotógrafo, Aracy parecia seguir um macho que estava nas proximidades, deslocando-se pela mata logo após a alimentação.
Quem é Aracy

Conhecida por pesquisadores, fotógrafos e visitantes do Pantanal, Aracy é acompanhada pelo projeto Onçafari e se tornou uma das onças mais monitoradas da região. Nascida em setembro de 2020, ela pertence à segunda ninhada da onça Isa e representa um marco para a conservação da espécie.
O caso é considerado histórico por pesquisadores: Aracy integra o primeiro registro de reintrodução bem-sucedida de uma onça-pintada na natureza em todo o mundo.
Desde filhote, a felina demonstrou comportamento tranquilo diante da presença de veículos de observação, o que permitiu aos cientistas conhecerem melhor seu território, hábitos e preferências alimentares — que incluem principalmente jacarés e capivaras.
Uma característica física facilita sua identificação: Aracy possui uma pequena ausência em parte da orelha esquerda, além de padrões únicos de manchas.
Vida monitorada e contribuição científica
Ao longo dos últimos anos, a onça também deu continuidade ao legado familiar. Em 2022, teve sua primeira cria, Jaci, seguida por Tereno. Atualmente, ela cuida do filhote Mocoha, com cerca de sete meses.
Em 2025, Aracy recebeu um colar com rádio transmissor, equipamento utilizado por pesquisadores para acompanhar deslocamentos, comportamento e hábitos de caça. As informações coletadas ajudam diretamente em estratégias de conservação da espécie e na proteção da biodiversidade do Pantanal.
O registro reforça não apenas a imponência da onça-pintada, mas também a importância do bioma pantaneiro como um dos últimos refúgios naturais capazes de revelar, em estado puro, a dinâmica da vida selvagem.


















