Lula reúne ministros pela última vez antes de reforma que deve mudar o primeiro escalão do governo

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Mapeamento do governo indica que ao menos 20 ministros são cotados para deixar os cargos (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Encontro ocorre às vésperas do prazo eleitoral que obriga integrantes do Executivo a deixar cargos para disputar eleições de 2026

A poucos dias de uma mudança ampla na Esplanada dos Ministérios, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva realiza nesta terça-feira (31) a última reunião ministerial com a atual composição do governo. O encontro marca o início prático da transição política que antecede as eleições de 2026 e deve abrir caminho para uma reforma ministerial com impacto direto no primeiro escalão.

Pelo calendário eleitoral, ministros e demais ocupantes de cargos no Executivo que pretendem concorrer nas eleições precisam se afastar das funções até o próximo sábado (4), prazo conhecido como desincompatibilização. A exigência legal deve provocar uma série de substituições estratégicas dentro do governo federal.

Até o momento, duas saídas já estão confirmadas. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deixa o cargo para disputar o governo de São Paulo, enquanto o chefe da Casa Civil, Rui Costa, deve concorrer ao Senado pela Bahia.

Nos bastidores do Planalto, a expectativa é de que novas mudanças sejam anunciadas nos próximos dias. Um levantamento interno do próprio governo indicava que mais de 20 ministros avaliavam entrar na disputa eleitoral, o que pode ampliar significativamente o alcance da reforma ministerial.


Ministros com saída confirmada

  • Fernando Haddad (Fazenda): pré-candidato ao governo de São Paulo.
  • Rui Costa (Casa Civil): deve disputar o Senado pela Bahia.

Cotados para disputar governos estaduais

  • Renan Filho (Transportes): possível candidato ao governo de Alagoas.
  • Camilo Santana (Educação): deve concorrer ao governo do Ceará.

Possíveis candidatos ao Senado

  • André Fufuca (Esporte) — Maranhão
  • Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional) — Amapá
  • Simone Tebet (Planejamento) — candidatura em avaliação
  • Marina Silva (Meio Ambiente) — cotada para disputa
  • Carlos Fávaro (Agricultura) — tentativa de reeleição por Mato Grosso
  • Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) — Paraná

Possíveis candidaturas à Câmara dos Deputados

  • Jader Filho (Cidades) — Pará
  • André de Paula (Pesca) — Pernambuco
  • Anielle Franco (Igualdade Racial) — Rio de Janeiro
  • Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) — São Paulo
  • Sonia Guajajara (Povos Indígenas) — tentativa de reeleição
  • Wolney Queiroz (Previdência) — Pernambuco
  • Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos) — busca reeleição

Disputa por assembleias estaduais

  • Macaé Evaristo (Direitos Humanos): deve concorrer à Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

Situações ainda indefinidas

Alguns integrantes do governo ainda avaliam o futuro político. Entre eles estão:

  • Márcio França (Empreendedorismo), que estuda candidatura em São Paulo;
  • Alexandre Silveira (Minas e Energia), que pode disputar cargo em Minas Gerais;
  • Geraldo Alckmin, vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, cotado para compor articulações eleitorais de 2026;
  • Sidônio Palmeira (Comunicação Social), que deve deixar o governo para atuar na estratégia de marketing da campanha de reeleição de Lula.

A reunião desta terça ocorre em meio à intensificação das articulações políticas no Planalto e deve servir para alinhar a transição administrativa antes das mudanças formais na equipe ministerial.