Mato Grosso do Sul contabiliza 29.088 pessoas com o diagnóstico do transtorno do espectro autista (TEA), na proporção, corresponde a 1 caso para cada grupo de 91 pessoas. A informação consta na plataforma Observatório da Cidadania de Mato Grosso do Sul (clique aqui), que leva em consideração dados coletados no Censo Demográfico de 2022, produzido pelo IBGE. No Brasil, são 2.405.337 autistas.
O perfil no estado também revela que 60,69% são do sexo masculino, ou seja, 17.654 em números reais. A faixa etária dos cinco aos nove anos é a maioria hoje, em seguida estão os autistas dos 0 aos 4 e dos 10 aos 14 anos. Com relação ao ranking das cidades, Campo Grande lidera com total de 10.779 TEAs, seguida por Dourados, 2.746, Três Lagoas, 1.524, Ponta Porã, 1.221, e Corumbá, 965 autistas.
Na quarta-feira (1º), a especialista em neuroeducação e psicomotricidade, Rosália Cavalcanti, participou do primeiro Seminário de Conscientização do Autismo, promovido pela Câmara Municipal, e destacou que ampliar o apoio e a visibilidade da causa representa um avanço significativo para toda a sociedade.
“Precisamos de toda ajuda possível. Quem quiser estender a mão será muito bem-vindo, para que essa causa ganhe cada vez mais visibilidade. E não basta falar sobre o autismo apenas no Dia do Autismo, é essencial manter esse debate ao longo de todo o ano, com ações concretas e indicadores reais de resultados. Esse é o meu sonho, esse é o meu propósito”, afirmou.
Nessa quinta (02) é celebrado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. O TEA é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por diferenças na comunicação, na interação social e no comportamento. O termo “espectro” indica que há grande variação na forma como os sinais se manifestam, desde pessoas com alto grau de autonomia até aquelas que necessitam de suporte intensivo.
Entre as características mais comuns estão:
- Dificuldade na comunicação verbal e não verbal
- Desafios na interação social e na reciprocidade emocional
- Interesses restritos e comportamentos repetitivos
- Sensibilidade sensorial (sons, luzes, cheiros, texturas)
- Resistência a mudanças de rotina
- Foco intenso em temas específicos
Além disso, algumas pessoas podem apresentar habilidades excepcionais em áreas como memória, matemática, música ou tecnologia — o que reforça a importância de olhar para o potencial, e não apenas para as dificuldades.
Sinais de alerta e quando procurar ajuda
Os primeiros sinais podem surgir ainda nos primeiros anos de vida. Entre os principais indicadores estão:
- Pouco contato visual
- Ausência de resposta ao ser chamado pelo nome
- Atraso na fala ou ausência de linguagem
- Dificuldade em brincar de forma simbólica
- Pouca interação com outras crianças ou adultos
Diante desses sinais, é fundamental buscar avaliação especializada. O diagnóstico é clínico e envolve observação comportamental, entrevistas com a família e, muitas vezes, aplicação de protocolos específicos por uma equipe multidisciplinar.
O diagnóstico precoce é decisivo: quanto antes a criança recebe acompanhamento, maiores são as chances de desenvolvimento das habilidades sociais, cognitivas e comunicativas.
Tratamento, intervenções e suporte contínuo
Embora o autismo não tenha cura, existem diversas abordagens terapêuticas baseadas em evidências que ajudam no desenvolvimento e na autonomia da pessoa com TEA. Entre as principais estão:
- Terapia comportamental (como ABA)
- Fonoaudiologia (desenvolvimento da linguagem)
- Terapia ocupacional (habilidades do dia a dia e integração sensorial)
- Acompanhamento psicológico
- Intervenções educacionais especializadas
O plano terapêutico deve ser individualizado, respeitando o perfil e as necessidades de cada pessoa. Em alguns casos, medicamentos podem ser indicados para tratar condições associadas, como ansiedade, irritabilidade ou transtorno de déficit de atenção.
Outro ponto essencial é a inclusão escolar, com adaptações pedagógicas, profissionais de apoio e formação de educadores para lidar com a diversidade em sala de aula.




















