Disputa pelo tempo de TV antecipa articulações para eleição presidencial de 2026

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(Foto: Lindomar Cruz/Senado)

Partidos buscam alianças com legendas de centro para ampliar espaço no horário eleitoral, que começa em agosto

Mesmo faltando semanas para o início oficial da propaganda eleitoral gratuita, marcado para 28 de agosto, a disputa pela eleição presidencial de 2026 já se intensificou nos bastidores — desta vez não pelo voto direto do eleitor, mas pelo tempo de exposição no rádio e na televisão, considerado estratégico pelas campanhas.

Os partidos que já apresentaram pré-candidatos à Presidência da República articulam alianças, principalmente com legendas de centro, para ampliar o espaço no horário eleitoral. O cálculo do tempo disponível leva em conta o tamanho das bancadas na Câmara dos Deputados, fator que transforma negociações políticas em vantagem direta na comunicação com o eleitorado.

Pela legislação eleitoral, 90% do tempo de propaganda é distribuído proporcionalmente ao número de deputados federais de cada partido ou federação. Os 10% restantes são divididos igualmente entre os candidatos cujas siglas superaram a chamada cláusula de barreira.

Também conhecida como cláusula de desempenho, a regra determina que partidos precisam atingir um percentual mínimo de votos válidos para a Câmara dos Deputados ou eleger uma quantidade mínima de parlamentares para ter acesso ao Fundo Partidário e ao horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão.

União Progressista deve liderar tempo de TV

De acordo com levantamento da Fundação 1º de Maio, baseado nas bancadas eleitas em 2022, a Federação União Progressista — formada por União Brasil e PP — deve ter o maior tempo de propaganda entre os presidenciáveis.

Com 106 deputados federais, o grupo teria cerca de 2 minutos e 28 segundos por programa, o equivalente a aproximadamente 20,7% do total de 12 minutos e 30 segundos do horário eleitoral.

Na sequência aparecem o PL, a Federação formada por PT, PCdoB e PV, além de MDB, PSD e Republicanos.

O estudo foi elaborado pelo cientista político Henrique Cardoso Oliveira e considerou apenas o tempo do horário eleitoral gratuito, sem incluir as inserções comerciais distribuídas ao longo da programação das emissoras.

Apenas três partidos têm direito garantido

Se o cenário atual se mantiver, apenas três partidos terão direito automático ao horário eleitoral para candidatos à Presidência no primeiro turno: PT, PSD e PL, que cumpriram a cláusula de desempenho nas eleições de 2022.

Outras siglas que lançaram pré-candidatos, como Novo, Democracia Cristã e Missão, não terão acesso ao tempo de propaganda por não terem alcançado os requisitos mínimos estabelecidos pela legislação.

A regra aumenta o peso das alianças políticas, especialmente com partidos do chamado Centrão, que concentram grandes bancadas e, consequentemente, maior fatia do tempo de televisão e rádio.

Alianças podem mudar equilíbrio da disputa

Simulações indicam que eventuais acordos podem alterar significativamente a exposição dos candidatos.

Em um cenário de aliança entre o PL e partidos como União Brasil-PP e Republicanos, por exemplo, o tempo de propaganda poderia saltar de pouco mais de dois minutos para mais de cinco minutos por programa.

Já a Federação Brasil da Esperança, ligada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tende a ampliar sua presença com apoio de partidos de esquerda como PSB, PDT e a Federação PSOL-Rede. Nesse caso, o espaço eleitoral subiria de cerca de dois minutos para pouco mais de três minutos.

O tempo de propaganda no rádio e na televisão vale apenas para o primeiro turno das eleições. Em caso de segundo turno, a legislação prevê divisão igualitária do espaço entre os dois candidatos finalistas.