
Levantamento Ipsos-Ipec mostra crescimento do eleitor “sem partido”, que pode ser decisivo nas eleições de 2026
Um levantamento recente revela que uma parcela significativa dos brasileiros não se identifica com nenhuma sigla partidária, indicando mudanças no comportamento político do eleitorado às vésperas das eleições de 2026. A pesquisa Ipsos-Ipec, realizada entre os dias 5 e 9 de março, aponta que o grupo dos chamados eleitores “sem partido” já representa o maior bloco político do país.
De acordo com o estudo, que ouviu 2 mil pessoas em 131 municípios brasileiros, 32% dos entrevistados afirmaram não ter preferência por qualquer partido político. O índice supera a preferência declarada pelas duas principais legendas citadas no levantamento: o PT, com 27% das menções, e o PL, com 19%. Outros 7% disseram não saber ou preferiram não responder.
Na avaliação de especialistas, o resultado vai além de uma simples insatisfação momentânea e reflete uma transformação mais profunda na relação entre eleitores e partidos. Para o cientista político Lucas Fernandes, a fragilidade histórica das siglas brasileiras contribui para o distanciamento do eleitorado.
Segundo ele, apenas algumas legendas ainda conseguem transmitir identidade ideológica mais clara, enquanto grande parte dos partidos enfrenta dificuldade em apresentar projetos políticos facilmente reconhecidos pela população. Esse cenário favorece o fortalecimento de lideranças individuais em detrimento das instituições partidárias.
O levantamento também mostra que a polarização política permanece presente. O PT aparece como o partido com maior rejeição, citado por 37% dos entrevistados como uma legenda na qual não votariam “de jeito nenhum”. O PL surge em seguida, com 19% de rejeição.
Para o analista político Deividi Lira, o atual cenário combina polarização e enfraquecimento partidário. Segundo ele, o eleitorado brasileiro tende a se organizar em três grandes grupos: os alinhados ao PT, os alinhados ao PL e um terceiro bloco, numeroso, formado por cidadãos sem identificação partidária.
Especialistas apontam que esse grupo pode ter papel decisivo nas eleições presidenciais de 2026. Por não possuir vínculos partidários consolidados, esses eleitores tendem a ser mais sensíveis a fatores conjunturais, como desempenho econômico, avaliação de governos e estratégias de campanha.
Na prática, o crescimento do eleitorado sem preferência partidária evidencia desafios estruturais do sistema político brasileiro. Embora a legislação exija filiação partidária para a disputa eleitoral, analistas avaliam que muitas siglas ainda funcionam mais como instrumentos eleitorais do que como representantes de projetos políticos consolidados.
Para os pesquisadores, o cenário indica que as próximas disputas eleitorais devem intensificar estratégias voltadas à persuasão e à construção de narrativas políticas, sobretudo na tentativa de conquistar o eleitor que hoje não se sente representado por nenhuma legenda.










