Passagens aéreas sobem 6,08% e pressionam inflação, aponta IBGE

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Aeroporto Internacional de Campo Grande (Foto: Divulgação)

Alta ocorre mesmo após pacote do governo para conter impacto do combustível no setor

Depois de uma semana de anúncios e promessas para tentar frear os preços das passagens aéreas, o impacto no bolso do consumidor já aparece nos números: o custo de voar ajudou a pressionar a inflação oficial do país, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (10).

Levantamento do IBGE mostra que as passagens aéreas registraram alta de 6,08% no IPCA, reforçando o peso do setor no custo de vida dos brasileiros.

O cenário ocorre após o governo federal anunciar um pacote emergencial para socorrer a aviação, diante do aumento de 54,6% no querosene de aviação — um dos principais custos das companhias. Entre as medidas, a principal é a zeragem das alíquotas de PIS/Cofins sobre o combustível, o que deve gerar uma economia estimada em R$ 0,07 por litro.

Apesar disso, especialistas avaliam que o alívio pode não chegar imediatamente ao consumidor. Professor do Ibmec Brasília, Marcos Melo afirma que o combustível é apenas um dos componentes do custo das aéreas.

“Certamente o combustível é um componente importante, mas há vários outros fatores que não estão diretamente ligados ao preço do querosene”, explica.

Na mesma linha, a procuradora Tatiana Navarro destaca que não há obrigação legal para que as empresas repassem a redução de custos ao consumidor, já que o setor opera sob regime de liberdade tarifária.

“Caberá à companhia decidir se reduz ou não os preços, considerando impacto na margem de lucro e no posicionamento de mercado”, afirma.

Para ela, a economia gerada pela desoneração é limitada e tende apenas a frear novos aumentos, sem provocar queda significativa nas tarifas.

Medidas para o setor aéreo

Além da isenção tributária, o governo federal, por meio do Ministério de Portos e Aeroportos e da área econômica, anunciou outras ações para tentar conter a pressão sobre o setor:

  • Linhas de crédito de até R$ 2,5 bilhões por empresa via BNDES para compra de combustível
  • Liberação de R$ 1 bilhão para capital de giro
  • Possibilidade de adiar tarifas de navegação aérea até o fim de 2026
  • Parcelamento de reajustes no querosene para suavizar impactos

As medidas atendem a pressões da Abear, que alertou para riscos de redução de rotas, menor oferta de voos e impactos na conectividade do país.

Petróleo e cenário internacional

A alta no combustível ocorre em meio à instabilidade global, impulsionada pelas tensões envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel.

Apesar de uma recente trégua anunciada pelo presidente Donald Trump, que ajudou a reduzir o preço do petróleo abaixo de US$ 100, o cenário ainda é considerado incerto.

Segundo o economista Renan Silva, o mercado vive um momento de ajuste após operar sob forte “prêmio de risco”.

“A tendência é de uma volatilidade menor no curto prazo, mas ainda sem uma queda brusca nos preços”, afirma.

Com isso, a expectativa é que as passagens aéreas continuem pressionadas nos próximos meses, mesmo com as medidas anunciadas, mantendo o setor como um dos focos de atenção na inflação brasileira.