Debate sobre fim da escala 6×1 chega ao centro da agenda política

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Medidas vão de 40 a 36 horas semanais e ampliam dias de descanso (Foto: Gov/MS)

Governo e parlamentares apresentam projetos com caminhos distintos

A escala de trabalho 6×1 — seis dias de trabalho para um de descanso — entrou de vez no centro do debate nacional, com propostas que avançam simultaneamente no Congresso e colocam em discussão mudanças profundas na rotina de milhões de trabalhadores. Hoje, o tema deixou de ser pontual e passou a ser tratado em diferentes frentes legislativas. Ao todo, quatro propostas tramitam ao mesmo tempo, com caminhos distintos, mas com um objetivo comum: reduzir a jornada de trabalho e ampliar o tempo de descanso.

Na Câmara dos Deputados, duas propostas avançaram recentemente na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ): a PEC 8/2025, da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), e a proposta do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). Ambas receberam parecer favorável para seguir tramitando, mas a votação foi adiada após pedido de vista da oposição.

Ao mesmo tempo, o governo federal decidiu agir por outra via. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso um projeto de lei com urgência constitucional, o que acelera a tramitação. A proposta prevê jornada de 40 horas semanais, com escala 5×2 e manutenção dos salários.

No Senado, a discussão está mais adiantada. A PEC 148/2015, do senador Paulo Paim (PT-RS), já foi aprovada na CCJ e aguarda votação no plenário. O texto prevê redução gradual da jornada, passando de 44 para 40 horas no primeiro ano, até chegar a 36 horas semanais, consolidando o modelo 5×2.

Apesar de partirem de um mesmo objetivo, as propostas têm diferenças importantes. A PEC de Erika Hilton, por exemplo, propõe a adoção da escala 4×3, com três dias de descanso e limite de 36 horas semanais. Já o texto de Reginaldo Lopes prevê uma transição mais longa, de até 10 anos, para reduzir impactos econômicos.

As propostas também diferem no tipo de tramitação. As PECs, por alterarem a Constituição, precisam de mais votos e passam por um processo mais longo. Já o projeto de lei do governo tem tramitação mais rápida, mas enfrenta questionamentos por tratar de um tema que hoje está previsto na Constituição.

O avanço das propostas ocorre em meio a divergências. De um lado, trabalhadores, sindicatos e movimentos sociais defendem a redução da jornada, apontando impactos positivos na saúde e na qualidade de vida. Do outro, representantes do setor produtivo alertam para possíveis efeitos econômicos, como aumento de custos, risco de demissões e crescimento da informalidade.

Estudos citados no debate indicam que a redução da jornada, sem ganho de produtividade, pode impactar o Produto Interno Bruto (PIB) e elevar despesas das empresas, com possíveis reflexos nos preços e no mercado de trabalho.

Diante desse cenário, especialistas apontam que qualquer mudança exige planejamento e transição cuidadosa. O desfecho dependerá do ritmo das negociações no Congresso e da capacidade de conciliar interesses entre trabalhadores, empresas e governo.