Trump cancela envio de negociadores ao Paquistão e trava diálogo com o Irã

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Donald Trump (Foto: Reprodução/Instagram Donald Trump)

Decisão ocorre após recusa iraniana de reunião direta; tensão cresce no Oriente Médio

Em meio a incertezas e recuos diplomáticos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado (25) o cancelamento da viagem de seus negociadores ao Paquistão, frustrando a expectativa de uma nova rodada de negociações com o Irã para tentar encerrar a guerra no Oriente Médio.

A decisão foi divulgada pelo próprio Trump em sua rede social, a Truth Social, onde afirmou que a viagem representaria “perda de tempo” e citou divisões internas na liderança iraniana. “Ninguém sabe quem está no comando”, escreveu, acrescentando que os Estados Unidos “têm todas as cartas”.

A comitiva americana, que incluiria enviados como Steve Witkoff e Jared Kushner, tinha previsão de embarcar rumo a Islamabad para se reunir com o chanceler iraniano, Abbas Aragchi. No entanto, a reunião já enfrentava obstáculos: o próprio representante do Irã havia sinalizado que não dialogaria diretamente com os norte-americanos, optando por tratar apenas com mediadores do governo paquistanês.

Aragchi chegou a ir à capital do Paquistão, onde apresentou as exigências de Teerã para um possível acordo, mas deixou o local sem se encontrar com representantes dos EUA. Depois, classificou a visita como “frutífera” e questionou a disposição americana para negociações.

O recuo ocorre um dia após sinais mais otimistas vindos de Washington. Na sexta-feira, Trump havia dito confiar que a proposta iraniana poderia atender às exigências dos EUA, enquanto a Casa Branca mencionava “avanços” nas tratativas.

Com o cancelamento, o clima entre os dois países volta a se deteriorar, contrastando com a primeira rodada de negociações, realizada semanas antes, quando houve contato direto entre representantes.

Enquanto isso, a situação no Oriente Médio segue tensa. O tráfego marítimo permanece interrompido no Estreito de Ormuz, rota por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial. A região está sob bloqueio de forças iranianas e norte-americanas, aumentando a pressão sobre os mercados internacionais.

No campo militar e político, os desdobramentos continuam. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que há esforços para avançar em um acordo com o Líbano, mas acusou o grupo Hezbollah de tentar sabotar o processo. Já o Irã mantém apoio ao grupo e critica as ações israelenses.

Mesmo com a escalada de tensão, Trump afirmou que tem “todo o tempo do mundo” para negociar, ao mesmo tempo em que mantém a pressão militar na região.