UFN3 pode gerar 8 mil empregos, mas falta de mão de obra preocupa em MS

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Estratégia inclui cursos de capacitação para formar trabalhadores na região de Três Lagoas (Foto: Hélio Melo/FIRJAN)

Petrobras aposta em qualificação profissional para suprir demanda em meio a pleno emprego no Estado

A retomada da indústria pesada em Mato Grosso do Sul vem acompanhada de um alerta: há vagas, mas faltam profissionais qualificados para ocupá-las. A previsão de até 8 mil empregos na construção da UFN3, em Três Lagoas, escancara o desafio enfrentado pelo Estado em meio ao crescimento econômico acelerado.

A reativação das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN3), prevista para começar entre junho e julho, deve impulsionar a geração de empregos e movimentar a economia regional. No entanto, a escassez de mão de obra qualificada já é tratada pela Petrobras como um dos principais obstáculos para o avanço do projeto.

Segundo a estatal, a concorrência por trabalhadores será intensa, já que Mato Grosso do Sul vive um ciclo de grandes investimentos, especialmente no setor de celulose, que também demanda milhares de profissionais. Em um cenário de pleno emprego, empresas enfrentam dificuldades para preencher vagas, muitas delas por falta de qualificação técnica.

Para contornar o problema, a Petrobras aposta na capacitação profissional como estratégia central. Um dos principais instrumentos será o programa Autonomia e Renda, desenvolvido em parceria com o Senai, que oferece cursos voltados à construção industrial pesada, como soldagem, elétrica, montagem e instrumentação.

A expectativa é formar trabalhadores na própria região de Três Lagoas antes mesmo do início das obras, reduzindo a necessidade de atrair mão de obra de outros estados e garantindo impacto econômico local. Ainda assim, a empresa não descarta buscar profissionais fora caso a oferta regional não seja suficiente.

No auge da construção, entre 7 mil e 8 mil trabalhadores devem ser empregados diretamente, além de milhares de vagas indiretas em setores como comércio, transporte, alimentação e serviços. O efeito multiplicador tende a aquecer a economia das cidades do entorno.

O desafio, no entanto, vai além da fase de obras. A operação da unidade exigirá profissionais ainda mais qualificados, reforçando a necessidade de investimentos contínuos em formação técnica. Especialistas apontam que a falta de mão de obra atinge diversos setores produtivos do Estado, como indústria, agronegócio, construção civil e logística.

A retomada da UFN3 ocorre em um momento de transformação econômica em Mato Grosso do Sul, marcado pela expansão industrial e pelo fortalecimento do agronegócio. Nesse contexto, o sucesso do empreendimento dependerá não apenas da execução da obra, mas da capacidade de formar, atrair e reter trabalhadores em um mercado cada vez mais competitivo.