Policiais e indígenas entram em confronto após ocupação de fazenda em Amambai

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Foto: Reprodução/vídeo Aty Guasu

A Polícia Militar se manifestou nessa segunda-feira (27), por meio de nota, sobre o confronto que vem ocorrendo desde a manhã de domingo (26) numa área ocupada por um grupo de indígenas das etnias Kaiowá e Guarani nas proximidades da Aldeia Limão Verde, entre Amambai e Coronel Sapucaia, chamada de Terra Indígena (TI) Iguatemipeguá II.

Segundo consta, a situação começou na noite de sábado (26), quando cerca de 20 nativos invadiram a propriedade e teriam expulsado os moradores. Na ação, eles destruíram maquinários e ameaçaram atear fogo na sede. A PM foi acionada logo em seguida e passou a negociar com o grupo. No domingo, sem chegar ao acordo, houve o primeiro confronto, que terminou na prisão de seis invasores.

O Conselho Indigenista Missionário (CIMI) também se manifestou sobre o caso, dizendo que, entre a noite de sábado e a madrugada de domingo, homens identificados como jagunços atacaram a área retomada. Somente depois as equipes do Departamento de Operações de Fronteira (DOF) e da Tropa de Choque da Polícia Militar chegaram ao local.

“Uma parte dos Kaiowá e Guarani foi empurrada pelas forças policiais de volta à aldeia Limão Verde, na Reserva, que acabou atacada a tiros e bombas; outra parte segue na fazenda, mantendo a retomada”, destacou o CIMI, acrescentando que, entre os presos pela polícia, havia ao menos dois adolescentes de 14 anos.

Confronto de segunda-feira

Vídeos publicados nas redes sociais mostram que houve um novo confronto armado entre policiais e indígenas na área reivindicada nessa segunda. Nas cenas, é possível ver os nativos armados com lanças, arcos e flechas, facões e até mesmo artefatos explosivos feitos de forma caseira. A Tropa de Choque é vista em posição de ataque, disparando tiros de borracha e bombas de fumaça.

Segundo a PM, nessa nova investida, cerca de 15 indivíduos agiram com hostilidade, atirando pedras com estilingues. “Diante da injusta agressão, a tropa atuou sob rigoroso protocolo técnico, empregando o uso diferenciado e proporcional da força para conter a violência e garantir a integridade física de todos os envolvidos, inclusive dos próprios agressores e das equipes policiais”, diz a nota.

A PMMS ainda ressaltou que demandas de natureza fundiária possuem canais institucionais próprios e não se resolvem por meio de ações ilegais. “O emprego de violência, vandalismo e ameaças contra famílias, trabalhadores rurais e agentes do Estado não encontra amparo na lei e será prontamente contido”, pontuou.

A corporação disse ainda que o policiamento permanece intensificado na região, com o emprego de unidades operacionais e especializadas, para a garantia da prevenção de novos conflitos e a manutenção da ordem pública. A TI Iguatemipeguá II está em processo de identificação e delimitação desde 2008.