Aos 42 anos, guarda civil de Campo Grande divide a rotina entre os plantões e a criação do filho Eduardo
Entre uma mudança para Londres e a maternidade solo, a guarda civil metropolitana Martha Cavalcante escolheu ficar. Sete anos depois, ela resume a decisão em uma frase que carrega o peso da própria trajetória: “ser mãe salvou a minha história”. Aos 42 anos, Martha vive em Campo Grande ao lado do filho Eduardo, de 6 anos, e divide a rotina entre os plantões na Guarda Civil Metropolitana (GCM), o trabalho como motorista de aplicativo e a missão diária de criar o menino sozinha.
Mas a vida dela poderia ter seguido um rumo completamente diferente. Há sete anos, Martha tinha planos definidos para deixar o Brasil. Com emprego garantido, moradia acertada e amigos esperando em Londres, ela se preparava para começar uma nova vida fora do país.
Antes da viagem, decidiu fazer exames médicos de rotina. Foi durante esse check-up que recebeu a notícia que mudaria todos os planos: a baixa reserva ovariana indicava que, se desejasse ter filhos, precisaria tomar uma decisão rapidamente. Sem condições financeiras de congelar óvulos e, ao mesmo tempo, investir na mudança para o exterior, ela optou pela maternidade. “Eu pensava em ser mãe algum dia, mas não naquele momento. Só que o médico falou que eu precisava decidir logo, e eu escolhi ter meu filho”, relembra.
Martha decidiu passar pelo processo de inseminação artificial com doador anônimo e seguir a maternidade solo. A gravidez aconteceu já na primeira tentativa. Pouco tempo depois, veio também a pandemia da Covid-19, que mudou completamente o cenário internacional e fez com que amigos dela fossem deportados da Inglaterra após o fechamento da empresa em que trabalhariam. “Se eu tivesse ido, provavelmente teria precisado voltar e não teria mais condições de realizar o sonho de ser mãe”, afirma.
Durante a gestação, Martha continuou trabalhando normalmente nos plantões da Guarda Civil Metropolitana. Ela conta que não teve complicações e define o período como “um conto de fadas”.

Hoje, Eduardo ocupa o centro da vida da mãe. O menino, que já perdeu dois dentes de leite, chama Martha de “pampãe”, apelido criado por ele mesmo. Os dois vivem sozinhos e mantêm uma rotina baseada em convivência e presença. Entre as atividades favoritas estão cozinhar juntos, passear em parques e fazer piqueniques. “Eu gosto mais de cortar as coisas. A mamãe que cozinha”, brinca Eduardo.
Martha também criou estratégias para garantir a segurança do filho durante os passeios. Um dos combinados entre os dois é um assovio usado como sinal de alerta. “Expliquei que, quando ele ouvir, precisa voltar imediatamente para perto de mim”, conta.
Há 13 anos na GCM, Martha integra o grupo de 90 mulheres da corporação. Mesmo com a rotina intensa, ela faz questão de priorizar o tempo com o filho. “Às 17h eu paro tudo para buscá-lo na escola. Minha prioridade sempre será ele”, afirma.
Além da educação e da presença constante, Martha também procura ensinar valores ligados ao respeito e ao combate à violência contra a mulher, realidade que conhece de perto pelo trabalho na segurança pública. “Já vivi muitas situações na Guarda que mostram como a violência ainda é normalizada. Ensino meu filho a nunca aceitar isso”, diz.
A principal rede de apoio da guarda é a mãe, que acompanhou desde a decisão pela inseminação artificial até a criação de Eduardo. Mesmo assim, Martha evita romantizar a maternidade. Ela diz que encontrou equilíbrio com organização da rotina, terapia e tempo de qualidade ao lado do filho. “Neste Dia das Mães, a gente não quer apenas aplausos. Quer reconhecimento por tudo o que vive e faz diariamente”, conclui.















