Dia das Mães: entenda como a data surgiu e virou uma das mais importantes do comércio

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Dia das mães (Foto: Pixabay)

Celebração oficializada no Brasil por Getúlio Vargas em 1932 nasceu nos Estados Unidos e ganhou força com mudanças culturais, campanhas publicitárias e apelo emocional

O Dia das Mães, celebrado neste domingo (11), movimenta o comércio, reúne famílias e domina campanhas publicitárias em todo o país. Mas a tradição, que hoje ocupa lugar de destaque no calendário brasileiro, nasceu muito antes das vitrines e promoções — e carrega uma história marcada por homenagens, disputas simbólicas e transformações culturais ao longo de mais de um século.

A data foi oficializada no Brasil em 1932, por meio do decreto nº 21.366, assinado pelo então presidente Getúlio Vargas. No texto, o governo definiu o segundo domingo de maio como um dia dedicado às mães “em comemoração aos sentimentos e virtudes que o amor materno concorre para despertar e desenvolver no coração humano”.

O documento justificava a criação da celebração destacando a importância da maternidade para a “bondade” e a “solidariedade humana”, além de afirmar que o Estado deveria reconhecer manifestações valorizadas pela sociedade.

Inspirado no modelo adotado nos Estados Unidos, o Dia das Mães brasileiro surgiu em um período de mudanças sociais importantes. Segundo pesquisadores, a oficialização ocorreu justamente no momento em que as mulheres começavam a conquistar mais espaço na vida pública — incluindo o direito ao voto, também reconhecido em 1932.

A historiadora Mary Del Priore afirma que a consolidação da data ganhou ainda mais força durante a ditadura militar, entre 1964 e 1985, quando a imagem da família tradicional passou a ser amplamente valorizada.

“A maternidade bem vivida, a mulher dedicada aos filhos era um perfil exaltado em concursos, capas de revista e campanhas”, relembra a pesquisadora.

A origem nos Estados Unidos

Embora existam registros de homenagens às mães desde a Antiguidade, o formato atual da celebração nasceu nos Estados Unidos, no início do século 20.

A norte-americana Anna Jarvis é considerada a criadora da versão contemporânea da data. Após a morte da mãe, em 1905, ela iniciou uma campanha para instituir uma comemoração nacional dedicada às mães.

A mãe de Anna, também chamada Anna Jarvis, era conhecida pelo trabalho social desenvolvido em comunidades religiosas da Virgínia Ocidental durante e após a Guerra Civil Americana.

Em 1908, Anna organizou uma grande homenagem pública que rapidamente ganhou repercussão nacional. Seis anos depois, em 1914, o então presidente americano Woodrow Wilson oficializou o segundo domingo de maio como o Dia das Mães nos Estados Unidos.

Com o passar do tempo, porém, a própria idealizadora passou a criticar a transformação da celebração em um evento comercial. Anna Jarvis protestava contra o uso da data para venda de cartões, flores e presentes, defendendo homenagens mais afetivas e pessoais.

Primeiras celebrações no Brasil

Antes da oficialização por Vargas, o Brasil já registrava comemorações dedicadas às mães.

Pesquisadores apontam que uma das primeiras homenagens ocorreu em 1918, no Rio Grande do Sul, organizada pela Associação Cristã de Moços. Igrejas cristãs também promoviam celebrações ligadas ao mês de maio, tradicionalmente associado à figura de Maria, mãe de Jesus.

Em 1947, a Igreja Católica incorporou oficialmente a tradição ao calendário religioso brasileiro por iniciativa do cardeal Dom Jaime de Barros Câmara.

Especialistas avaliam que Vargas enxergava a criação da data como uma forma de aproximação com o público feminino em um período de ampliação dos direitos das mulheres.

Do afeto ao comércio

O apelo emocional da data fez o Dia das Mães ganhar rapidamente força no varejo.

Atualmente, a celebração é considerada a segunda data mais importante para o comércio brasileiro, atrás apenas do Natal. Segmentos como vestuário, perfumes, joias, maquiagem, móveis e eletrodomésticos costumam registrar aumento significativo nas vendas.

Segundo especialistas, durante décadas as campanhas publicitárias associaram a figura da mãe ao ambiente doméstico, promovendo presentes ligados à casa e aos cuidados com a família.

Nos últimos anos, porém, a publicidade passou a retratar diferentes perfis de maternidade, incluindo mães solo, mulheres que trabalham fora e famílias com diferentes configurações.

Apesar das mudanças, pesquisadores afirmam que o consumo segue diretamente ligado ao simbolismo da data.

Celebração varia pelo mundo

Embora o segundo domingo de maio seja adotado em países como Brasil, Estados Unidos, Japão e Austrália, o Dia das Mães não possui uma data universal.

Em Portugal e na Espanha, por exemplo, a celebração ocorre no primeiro domingo de maio. Já na Argentina, o Dia das Mães é comemorado no terceiro domingo de outubro.

Na Tailândia, a homenagem acontece em 12 de agosto, aniversário da rainha Sirikit, considerada a “mãe da nação”. No México, a comemoração é fixa no dia 10 de maio, independentemente do dia da semana.

Há ainda países que relacionam a data à chegada da primavera, tradição herdada de antigas celebrações dedicadas à fertilidade e à maternidade.

Mesmo com formatos diferentes ao redor do mundo, o sentido afetivo permanece como principal marca da celebração — ainda que, ano após ano, ele caminhe lado a lado com o marketing e o consumo.