PF vê pouca novidade em proposta e apura esquema ligado ao Banco Master
Um acordo de delação premiada apresentado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) pode perder força antes mesmo de avançar, em meio ao andamento das investigações sobre o caso que envolve o Banco Master e suspeitas de fraude financeira.
A proposta foi entregue há cerca de uma semana e ainda está sob análise sigilosa, sem prazo definido para conclusão. Nos bastidores, no entanto, a avaliação é de que o conteúdo não trouxe o impacto esperado e pode não atender às exigências para uma colaboração efetiva.
Segundo informações obtidas em investigações e relatos de um integrante da PF, o material apresentado até agora atribui responsabilidades a nomes do chamado “terceiro escalão” e não avança sobre figuras de maior relevância. A avaliação interna é de que a proposta “tenta proteger muita gente”.
A expectativa inicial era de que o ex-banqueiro trouxesse informações envolvendo políticos e autoridades com eventual participação em irregularidades ligadas ao esquema investigado. No entanto, investigadores avaliam que, até o momento, não há novidades relevantes.
Enquanto isso, o avanço das apurações também pressiona o andamento do possível acordo. Na semana passada, a Polícia Federal deflagrou nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga o esquema financeiro atribuído ao Banco Master e que levou à liquidação da instituição.
O caso já reúne elementos que apontam para possíveis conexões entre o senador Ciro Nogueira e o ex-banqueiro, envolvendo interesses privados e atuação política, segundo apurações em curso.
Especialistas ouvidos no caso avaliam que o tempo é um fator decisivo. Para o advogado criminalista Alexandre Carvalho, a delação pode perder eficácia caso não avance rapidamente para homologação. Segundo ele, colaborações precisam trazer provas concretas e novos elementos para se sustentar.
Na mesma linha, o advogado criminalista Rafael Vilhena afirma que o conteúdo da colaboração precisa ter relevância suficiente para justificar o acordo. Caso contrário, pode não haver interesse das autoridades em seguir com a homologação.
A proposta ainda depende de análise da PGR e, posteriormente, de eventual homologação pelo ministro do STF André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal.
Preso desde março, Vorcaro segue à disposição da Justiça Federal em Brasília, onde foi transferido justamente para negociações relacionadas à possível colaboração. A PF chegou a solicitar o retorno do ex-banqueiro ao sistema prisional federal, sob a justificativa de falta de avanço nas tratativas.
O caso segue em investigação e a delação ainda não teve qualquer definição sobre aceitação ou rejeição formal.












