MS tem 2,5 mil quilombolas distribuídos em 21 municípios, aponta levantamento

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Painel População Quilombola em Mato Grosso do Sul (Foto: Divulgação)

Campo Grande lidera em número de moradores quilombolas; maioria da população é formada por mulheres

Os quilombolas de Mato Grosso do Sul representam menos de 0,1% da população estadual, mas estão distribuídos por 21 municípios e mantêm vivas tradições culturais, religiosas e históricas espalhadas pelo território sul-mato-grossense. Os dados fazem parte de um novo painel divulgado pelo Observatório da Cidadania de Mato Grosso do Sul, elaborado com base no Censo 2022 do IBGE e em informações da Secretaria de Estado da Cidadania.

Segundo o levantamento, Mato Grosso do Sul possui atualmente 2.572 pessoas quilombolas, o equivalente a 0,09% da população do Estado. A maioria é formada por mulheres, que representam 51% do total.

MS tem 2,5 mil quilombolas distribuídos em 21 municípios, aponta levantamento

De acordo com o IBGE, são consideradas quilombolas as pessoas que se autodeclaram pertencentes a comunidades tradicionais formadas a partir de ancestralidade, vínculos territoriais e práticas culturais herdadas da resistência à escravidão.

Campo Grande concentra o maior número de moradores quilombolas, com 735 pessoas. Em seguida aparecem Corumbá, com 371, Jaraguari, com 285, Nioaque, com 253, e Rio Brilhante, com 227.

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O painel também traz informações detalhadas sobre os territórios quilombolas oficialmente delimitados até julho de 2022, conforme registros do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e de órgãos fundiários estaduais e municipais.

Os dados mostram que mais da metade da população quilombola sul-mato-grossense vive fora dos territórios reconhecidos oficialmente. Do total de moradores identificados, 55,48% estão fora dessas áreas. Já dentro dos territórios quilombolas vivem 1.519 pessoas, sendo 1.145 autodeclaradas quilombolas, o equivalente a 75,38% da população residente nesses locais.

O levantamento também apresenta informações sobre moradia, abastecimento de água, saneamento básico e infraestrutura. Fora dos territórios quilombolas, o Estado possui 979.131 domicílios, com média de 2,79 moradores por residência. Já dentro dos territórios são 538 domicílios, com média de 2,82 moradores.

Segundo o estudo, tanto dentro quanto fora dos territórios, o abastecimento de água ocorre principalmente por meio de rede geral, poços, fontes, nascentes ou minas encanadas.

Ao todo, Mato Grosso do Sul possui 25 comunidades quilombolas distribuídas em 16 municípios. Nioaque lidera o número de comunidades, com seis registros. Campo Grande e Corumbá aparecem em seguida, com três comunidades cada.

Também possuem comunidades quilombolas os municípios de Terenos, Rio Brilhante, Aquidauana, Bonito, Corguinho, Pedro Gomes, Rio Negro, Sonora, Dourados, Figueirão, Itaporã, Jaraguari e Maracaju.

Além dos dados populacionais, o painel reúne informações sobre localização geográfica, rotas de acesso, manifestações culturais, festas tradicionais, espaços religiosos e potencialidades econômicas das comunidades.

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Coordenador do Observatório da Cidadania, o professor Samuel Oliveira afirma que o objetivo da plataforma é ampliar o acesso às informações e auxiliar na formulação de políticas públicas. “Esse painel é mais uma entrega dessa parceria, UFMS e Secretaria da Cidadania, com o objetivo de aproximar a população dos dados e fortalecer o debate público qualificado”, destacou.

O acesso ao Painel da População Quilombola é gratuito e está disponível no site do Observatório da Cidadania de Mato Grosso do Sul.