Estudo mostra que erro comum sobre alinhamento entre Sol, Terra e Lua confunde adultos e crianças
Todo mês, a Lua passa entre a Terra e o Sol — e, mesmo assim, o céu não escurece com um eclipse solar. Em outro momento da mesma órbita, ela fica do lado oposto do planeta — e também não acontece um eclipse lunar na maioria das vezes. A explicação para esse “desencontro” entre os astros está em um detalhe quase invisível: uma inclinação de apenas 5 graus na órbita lunar.
A dúvida, comum entre crianças e adultos, motivou um estudo publicado nesta terça-feira (12) pelo Science Media Centre España. O artigo, assinado por pesquisadores da Universidade de Alicante, na Espanha, mostra que boa parte das pessoas entende de forma equivocada como funcionam os eclipses e as fases da Lua.
Segundo os cientistas, o principal erro é imaginar que a Lua gira perfeitamente alinhada à Terra e ao Sol. Na prática, isso não acontece.
A inclinação que impede eclipses todo mês
A Lua leva cerca de 29 dias para completar uma volta ao redor da Terra. Durante esse ciclo, ela passa pela fase de Lua nova — quando fica entre a Terra e o Sol — e pela Lua cheia, quando a Terra fica entre o Sol e a Lua.
Nessas duas situações, os três corpos celestes parecem quase alinhados, condição necessária para um eclipse acontecer.
Mas existe um detalhe decisivo: a órbita da Lua é inclinada em cerca de 5 graus em relação ao plano da órbita terrestre.
Pode parecer pouco, mas essa diferença faz com que, na maior parte do tempo, a sombra “erre o alvo”.
Quando a Lua passa alta demais em relação à Terra, não há eclipse. Quando passa baixa demais, também não. O fenômeno só acontece quando o alinhamento ocorre exatamente no ponto em que os planos das órbitas se cruzam — regiões chamadas de “nodos”.
➡️ Em resumo: o alinhamento entre Sol, Terra e Lua acontece todos os meses, mas o alinhamento perfeito necessário para um eclipse é raro.
A “temporada de eclipses”
Segundo a NASA, os eclipses só conseguem ocorrer em dois períodos específicos do ano, conhecidos como “temporadas de eclipses”.
Essas janelas duram cerca de 40 dias e representam os momentos em que a inclinação da órbita lunar permite o alinhamento ideal entre os três astros.
Por isso, o planeta registra, em média, entre dois e cinco eclipses solares por ano, somando os tipos totais, parciais, anulares e híbridos.
Já os eclipses solares totais são muito mais raros. Para uma mesma cidade, a média é de um evento a cada 375 anos.
O próximo eclipse solar total acontecerá em 12 de agosto de 2026. A sombra da Lua vai atravessar regiões do Ártico, Groenlândia, Islândia, norte da Espanha e parte de Portugal.
Será o primeiro eclipse solar total visível na Europa continental desde 1999.
No Brasil, porém, o fenômeno não poderá ser observado.
Confusões comuns sobre a Lua e os eclipses
Além da inclinação da órbita lunar, os pesquisadores identificaram outros erros frequentes sobre astronomia.
“As fases da Lua acontecem porque a sombra da Terra cobre a Lua”
Não. Esse fenômeno descreve um eclipse lunar.
As fases da Lua acontecem porque o satélite reflete a luz do Sol. Conforme a Lua gira ao redor da Terra, diferentes partes iluminadas ficam visíveis para quem observa daqui.
O ciclo completo dura cerca de 29,5 dias e inclui fases como Lua nova, crescente, cheia e minguante.
“Eclipse solar acontece na Lua cheia”
Também não.
O eclipse solar só ocorre durante a Lua nova, quando a Lua fica entre a Terra e o Sol e projeta sua sombra sobre o planeta.
Já o eclipse lunar acontece durante a Lua cheia, quando a Terra fica entre o Sol e a Lua.
“É a Terra que cobre o Sol no eclipse solar”
No eclipse solar, quem passa na frente do Sol é a Lua.
Mesmo sendo muito menor, ela está perto o suficiente da Terra para bloquear parcialmente ou totalmente a luz solar em determinadas regiões.
Tipos de eclipses
Os eclipses solares podem acontecer de três formas principais:
- Total: a Lua cobre completamente o Sol;
- Parcial: apenas parte do Sol é encoberta;
- Anular: a Lua fica alinhada, mas não cobre totalmente o Sol, formando um “anel de fogo”.
Já os eclipses lunares acontecem quando a sombra da Terra encobre a Lua.
Nesse caso, existem três tipos:
- Penumbral: a Lua passa pela penumbra da Terra;
- Parcial: parte da Lua entra na umbra;
- Total: toda a Lua fica mergulhada na umbra da Terra.
Eclipses previstos para 2026
Os astrônomos já têm datas marcadas para os próximos fenômenos:
- ☀️ 17 de fevereiro — eclipse solar parcial;
- 🌗 3 de março — eclipse lunar total;
- ☀️ 12 de agosto — eclipse solar total;
- 🌗 27 e 28 de agosto — eclipse lunar parcial.
Dos quatro eventos previstos, apenas os eclipses lunares poderão ser observados no Brasil.
Especialistas alertam que eclipses solares nunca devem ser observados diretamente sem filtros apropriados, devido ao risco de danos permanentes à visão.





















