Estado encerrou ciclo 2025/2026 com produção estimada em 17,7 milhões de toneladas
Mesmo após enfrentar estiagens prolongadas em parte do Estado, Mato Grosso do Sul encerrou a safra 2025/2026 de soja com um resultado recorde no campo: foram quase 17,8 milhões de toneladas colhidas, volume 26,3% maior do que o registrado no ciclo anterior.
Os dados foram divulgados nesta terça-feira (12) pela Aprosoja/MS (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul), em boletim que também aponta cenário considerado favorável para grande parte das lavouras de milho segunda safra.
Segundo o levantamento, a soja ocupou 4,794 milhões de hectares nesta temporada. A produtividade média estadual foi revisada para 61,73 sacas por hectare após monitoramento em mais de 937 mil hectares distribuídos em diferentes regiões produtoras.
Apesar do resultado positivo, a safra foi marcada por perdas provocadas pela seca no sul do Estado. Mais de 640 mil hectares foram afetados por períodos prolongados sem chuva entre janeiro e fevereiro.
De acordo com o assessor técnico da Aprosoja/MS, o comportamento climático teve impactos diferentes entre as regiões. “Tivemos um cenário bastante positivo no início da safra, mas os veranicos registrados entre janeiro e fevereiro afetaram principalmente a região sul do Estado. Ainda assim, áreas do norte e nordeste conseguiram sustentar produtividades elevadas”, afirmou.
Sul sofreu com estiagem
O boletim aponta que, em dezembro de 2025, mais de 75% das lavouras apresentavam boas condições de desenvolvimento. O cenário mudou no início deste ano, quando municípios do sul passaram a enfrentar estiagens superiores a 20 dias consecutivos e temperaturas elevadas.
Dourados, Ponta Porã, Maracaju e Amambai aparecem entre as cidades mais atingidas pela falta de chuva. Mesmo com as perdas localizadas, regiões do norte e nordeste compensaram parte dos prejuízos e puxaram a média estadual para cima.
Alcinópolis liderou o ranking de produtividade, com média de 85,06 sacas por hectare. Costa Rica registrou 78,73 sacas por hectare, enquanto Chapadão do Sul alcançou 76,75 sacas.
Também ficaram acima da média estadual municípios como Brasilândia, Três Lagoas, São Gabriel do Oeste, Nova Alvorada do Sul e Aral Moreira. Já cidades como Itaquiraí, Juti, Figueirão e Santa Rita do Pardo registraram os menores índices da safra.
Produção superou projeções iniciais
A colheita começou com atraso de duas semanas em relação ao ciclo anterior e terminou em 8 de maio, após 16 semanas de operação. Segundo a Aprosoja/MS, a produção final superou as projeções feitas no início da safra.
A estimativa inicial previa produtividade média de 52,82 sacas por hectare e produção de 15,1 milhões de toneladas. Com a revisão dos dados, houve aumento de 16,9% na produtividade estimada e avanço de mais de 2,5 milhões de toneladas no volume produzido.
A entidade informou que os números ainda podem sofrer pequenos ajustes durante a consolidação final dos dados.
Milho segunda safra
O boletim também trouxe atualização sobre o milho segunda safra em Mato Grosso do Sul. O plantio foi concluído no fim de abril e ocupa área estimada em 2,206 milhões de hectares no Estado. A expectativa atual é de produtividade média de 84,2 sacas por hectare e produção de 11,1 milhões de toneladas.
Apesar do cenário considerado positivo, a projeção representa queda de 22,4% na produtividade e redução de 20,1% na produção em comparação ao ciclo anterior, que teve desempenho acima da média.
Segundo o levantamento, 72,2% das áreas de milho apresentam boas condições de desenvolvimento, enquanto 17,3% estão em situação regular e 10,5% aparecem em condição ruim.
As melhores condições se concentram nas regiões norte, nordeste e oeste do Estado. Municípios como Coxim, Pedro Gomes, Rio Verde de Mato Grosso e Costa Rica apresentam índices elevados de lavouras em boas condições. Já regiões como Sidrolândia, Nova Alvorada do Sul e Rio Brilhante enfrentam maiores dificuldades nesta etapa da safra.
A Aprosoja/MS alerta que o clima das próximas semanas será decisivo para o desempenho final da cultura, principalmente diante do risco de novas estiagens e possibilidade de geadas em algumas áreas produtoras.





















