Cientistas estudam chance de cultivar batatas em Marte

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26/01/2016 09h30

Cientistas estudam chance de cultivar batatas em Marte

Exame.com

Cientistas do Centro Internacional da Batata (CIP, na sigla em espanhol) no Peru lideram um projeto, ainda em testes, que explora a possibilidade de cultivar o tubérculo em Marte.

Cinco cientistas do CIP trabalham na iniciativa há um mês, graças à proposta do pesquisador Julio Valdivia, que está realizando estudos para Nasa (agência especial americana) e descobriu que o solo de um local em Arequipa, no sul do país, é muito similar ao de Marte.

O biólogo David Ramírez, um dos integrantes do projeto, disse à Agência Efe que terreno similar ao marciano fica no deserto do distrito de La Joya, a 50 quilômetros de Arequipa. Assim como Marte, a região tem solo pobre, seco e com alta concentração de sal.

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Além das semelhanças, o projeto ganha força porque o Peru é o primeiro produtor de batata da América Latina com 4,7 milhões de toneladas anuais. O tubérculo também o mais representativo da agricultura peruana.

O Peru tem mais de quatro mil variedades nativas catalogadas. O CIP abriga em suas instalações o complexo da biodiversidade, que armazena 4.500 variedades de batata e sete mil de batata-doce, constituindo assim a maior coleção do tipo no mundo.

O principal virologista do CIP, Jan Kreuze, explicou que já foram identificados genótipos para serem testados, “variações melhoradas” da batata. O primeiro passo será plantar essas sementes em ambientes controlados para acompanhar seu crescimento. Os pesquisadores procuram variedades que sejam “tolerantes a ondas de calor, frio e seca”.

O projeto é financiado por uma pessoa que quer se manter no anonimato, mas a Nasa está fornecendo apoio logístico à CIP, auxiliando no design de estufas que simulam as condições de Marte.

“Há duas abordagens, trazer amostras de solo do deserto ao CIP e também cultivar batata lá e ver como ela se comporta”, declarou Kreuze, que acredita que irá encontrar uma variedade que seja cultivável em Marte.

Desde o início do contato dos europeus com os incas no século XVI, a batata peruana chegou à Espanha. Seu consumo se estendeu na Europa e ajudou a controlar crises de fome na região.

Os pesquisadores do projeto querem “aprender porque isso pode nos servir para cultivar também em locais extremos da Terra”, explicou o principal virologista do CIP.

A batata se adapta aos locais onde a água é escassa e a mão-de-obra é abundante, proporcionando um valor nutritivo, mais rápido, em menor espaço e em condições mais difíceis. Ela é também o quarto alimento básico do mundo, depois do milho, trigo e arroz, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

No filme “Perdido em Marte”, de Ridley Scott, o protagonista, Matt Damon, consegue cultivar batatas em Marte. Graças a desafio do CIP, pode ser que essa cena saia da ficção e vire realidade.

Marte: pesquisadores procuram variedades que sejam