Acadêmicos de Niterói, que homenageou Lula, é rebaixada no Carnaval do Rio

27
Com cinco carros alegóricos, a Acadêmicos de Niterói foi a primeira a desfilar no Grupo Especial - (crédito: João Salles | Riotur)

A apuração do Carnaval do Rio sacramentou o rebaixamento da Acadêmicos de Niterói, escola que levou à Marquês de Sapucaí o samba-enredo “Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil”, em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A escola havia sido campeã da Série Ouro (equivalente à Segunda Divisão do Carnaval) no último ano.

Embora tenha conquistado duas notas dez em samba-enredo, categoria escolhida como critério de desempate, a somatória de pontos da Acadêmicos foi de 264.6, ou 2.8 pontos a menos do que a penúltima colocada, a Mocidade Independente de Padre Miguel.

A grande vencedora do Grupo Especial foi a Viradouro, que voltará à Sapucaí com Beija-Flor, Vila Isabel, Salgueiro, Imperatriz Leopoldinense e Mangueira para o desfile das campeãs no sábado (21).

A apresentação da escola de Niterói virou ponto de polêmica por suscitar na oposição alegações de propaganda eleitoral antecipada e abuso de poder econômico pela suspeita de que a primeira-dama Janja teria levantado recursos privados com empresários para engordar o caixa da escola.

A Acadêmicos também recebeu recursos do governo federal via Embratur, assim como as demais 11 agremiações da principal divisão do Carnaval carioca.

O samba-enredo trouxe referências à trajetória política e social do petista, incluindo o jingle clássico lançado na primeira disputa à Presidência, em 1989: “Olê, olê, olê, olá, vai passar nessa avenida mais um samba popular; olê, olê, olê, olá, Lula, Lula”.

O desfile também trouxe críticas a adversários, como um preso vestido de palhaço com a tornozeleira eletrônica queimada, em referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e uma ala que retratava evangélicos em latas de conserva, irritando membros desse segmento religioso.

Sem Lula e sem ministros

Planalto vetou a participação de ministros e aliados com pretensões eleitorais no desfile. Prevista como destaque do último carro alegórico, Janja deu para trás na última hora por temores de comprometer Lula e arriscar causar complicações com a Justiça Eleitoral.

O casal presidencial assistiu às quatro escolas que percorreram a Marquês de Sapucaí no domingo do camarote da Prefeitura do Rio. Lula desceu à avenida para beijar o estandarte da Acadêmicos de Niterói, mas também o da Imperatriz Leopoldinense, Portela e Mangueira, para evitar alimentar discursos de preferência pela escola que o homenageou.

A lei eleitoral entende como abuso de poder político e econômico o uso indevido de cargo ou função pública, com dinheiro do erário, para obter votos para determinado candidato e desequilibrar a disputa.

Já a propaganda eleitoral antecipada precisa conter um pedido explícito ou expressões correlatas (as chamadas “palavras mágicas”) que induzam o voto.

*Por SBT News