Antes da seca, Bombeiros de MS aceleram preparativos contra incêndios

11
Planejamento inclui manutenção de equipamentos, mobilização aérea e ações de manejo ambiental no Pantanal (Foto: Bruno Rezende)

Bombeiros revisa estrutura, ativa bases avançadas e aposta em tecnologia para enfrentar impactos do El Niño

Antes mesmo do período mais crítico de seca começar, homens, máquinas e tecnologia já estão em movimento em Mato Grosso do Sul. O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul intensifica os preparativos para a Operação Pantanal 2026, com foco na prevenção e no combate aos incêndios florestais no Pantanal e também nos biomas Cerrado e Mata Atlântica.

Na fase de pré-temporada, equipamentos passam por vistoria, manutenção e reparos. Novos materiais também são testados, como drones com sensor de calor, que auxiliam na identificação de focos ativos e áreas de risco. Paralelamente, as equipes recebem treinamento e capacitação para atuação nos períodos de maior incidência de fogo.

“Nos preparamos para atender as ocorrências nos períodos mais críticos. Nesse momento, fazemos a readequação dos materiais e reforçamos o treinamento dos militares, visando estar prontos quando for necessário”, afirma o subdiretor da Diretoria de Proteção Ambiental (DPA), major Eduardo Teixeira.

De acordo com o capitão Samuel Pedrozo, a manutenção da reserva técnica é estratégica para garantir resposta rápida. “Temos grande quantidade de materiais armazenados e estamos deixando tudo em condições de pronto emprego. Também realizaremos testes operacionais com equipamentos recém-recebidos, como drones com capacidade de rastreamento térmico”, explicou.

Brigadas e bases avançadas

Outra frente importante é a formação e o fortalecimento de brigadas de incêndio em propriedades rurais. A iniciativa leva conhecimento técnico, equipamentos e práticas preventivas às comunidades locais, ampliando a capacidade de resposta imediata em caso de focos.

“As brigadas são uma estratégia de sucesso. Ao capacitar moradores e produtores, aumentamos a resiliência das regiões e reduzimos os danos em caso de incêndio”, destacou o major.

Neste início de preparação, também estão sendo organizadas a reativação das bases avançadas e a realização de queimas prescritas no Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro e no Parque Estadual das Nascentes do Rio Taquari. As bases permanentes em diferentes regiões do Pantanal permitem deslocamento mais rápido das equipes e redução da área atingida pelo fogo — estratégia que, segundo o Corpo de Bombeiros, contribuiu para a queda expressiva de focos e áreas queimadas em 2025.

Manejo do fogo e cenário climático

O uso da queima prescrita é uma das principais ferramentas de manejo. A técnica consiste na queima controlada de material combustível em períodos mais seguros, com menor impacto à fauna e à flora.

“Cerrado e Pantanal convivem historicamente com o fogo. O objetivo é que ele seja sempre prescrito, evitando grandes incêndios. A cicatriz deixada pela queimada controlada ajuda a proteger áreas mais sensíveis”, explicou Teixeira.

Em janeiro, equipes atuaram de forma intensa após aumento de focos de calor em áreas como o entorno do Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro, a Serra da Bodoquena e regiões do Nabileque e do município de Corumbá, próximo ao Rio Paraguai. A combinação de vegetação já recuperada dos incêndios de 2024 e período prolongado de estiagem favoreceu a propagação das chamas.

O cenário para 2026 exige atenção redobrada. A influência do fenômeno climático El Niño pode intensificar o risco de incêndios ao provocar temperaturas mais elevadas — especialmente no inverno — e irregularidade nas chuvas.

Diante desse contexto, o Estado aposta em tecnologia, mobilização terrestre e aérea e planejamento estratégico para reduzir impactos ambientais e proteger comunidades. A meta, segundo o Corpo de Bombeiros, é manter a estrutura pronta antes mesmo que o fogo apareça no horizonte.