Anúncio de Bolsonaro sobre vacinas veio com “atraso fatal e doloroso”, afirma CPI em nota

448
(Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

O comando da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia soltou nota oficial na noite de ontem (2) após o pronunciamento do presidente da República, Jair Bolsonaro. Ele afirmou em rede nacional de rádio e televisão que todos os brasileiros que desejarem serão vacinados até o fim do ano contra a covid-19. Para vários integrantes da CPI, o anúncio veio com “atraso fatal e doloroso”. Veja nota na íntegra ao final da reportagem.

O governo também está sob pressão por causa da CPI da Covid, instalada no Senado para apurar possíveis omissões do governo federal no enfrentamento à crise sanitária. Em pouco mais de um mês de trabalho, os senadores priorizaram as convocações e depoimentos dos principais membros da gestão Bolsonaro.

No pronunciamento desta quarta, o presidente voltou a defender ações do governo federal para acelerar a vacinação e conter a crise econômica causada pela pandemia. Ele citou a marca de 100 milhões de doses da vacina contra a covid-19 entregues pelo governo aos estados, a sanção de nova rodada do Pronampe, que será permanente, e prometeu que todos brasileiros poderão se vacinar até o fim de 2021. 

O mandatário também defendeu a realização da Copa América no Brasil, justificando que a competição seguiria protocolos de outros torneios. “Todos os nossos 22 ministros consideram o bem maior de nosso povo a sua liberdade. Que Deus abençoe o nosso Brasil”, disse Bolsonaro ao encerrar sua fala. 

Durante o pronunciamento, que durou cerca de sete minutos, atos de panelaços foram registrados em ao menos dezenove capitais brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Vitória, Recife, Salvador, Belém, Belo Horizonte, Maceió, Ceará, Porto Alegre, Curitiba, Brasília, Goiânia, Manaus, São Luís, João Pessoa, Natal, Florianópolis e Aracaju. 

NOTA PÚBLICA

A inflexão do Presidente da República celebrando vacinas contra a Covid-19 vem com um atraso fatal e doloroso. O Brasil esperava esse tom em 24 de março de 2020, quando inaugurou-se o negacionismo minimizando a doença, qualificando-a de ‘gripezinha’. Um atraso de 432 dias e a morte de quase 470 mil brasileiros, desumano e indefensável.

A fala deveria ser materializada na aceitação das vacinas do Butantan e da Pfizer no meio do ano passado, quando o governo deixou de comprar 130 milhões de doses, suficientes para metade da população brasileira. Optou-se por desqualificar vacinas, sabotar a ciência, estimular aglomerações, conspirar contra o isolamento e prescrever medicamentos ineficazes para a Covid-19.

A reação é consequência do trabalho desta CPI e da pressão da sociedade brasileira que ocupou as ruas contra o obscurantismo. Embora sinalize com recuo no negacionismo, esse reposicionamento vem tarde demais. A CPI volta a lamentar a perda de tantas vidas e dores que poderiam ter sido evitadas.

Omar Aziz- Presidente CPI
Randolfe Rodrigues – Vice Presidente CPI
Renan Calheiros – Relator

Em apoio
membros efetivos:

Tasso Jereissati
Otto Alencar
Humberto Costa
Eduardo Braga

Suplentes:

Alessandro Vieira
Rogério Carvalho

Fonte: Agência Senado