04/02/2016 15h00
Apartamento dos anos 1950 tem decoração neutra inspirada em Oscar Niemeyer
Casa e Jardim
O administrador de empresas Carlos Rodolfo Barbosa sempre teve o desejo de morar em um edifício projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Quando encontrou este apartamento dúplex, de 130 m², no edifício Eiffel, não teve dúvida: fechou negócio na hora e trocou a sofisticação dos Jardins pelo charme retrô do centro de São Paulo.
O prédio projetado por Niemeyer em 1953 conta um pouco da história da arquitetura modernista que o consagrou: formas retas, fachada de vidros, esquadrias de ferro e cobogós – elementos vazados de concreto –, além da vista para o verde da Praça da República. A incumbência de adaptar o apartamento à vida contemporânea ficou a cargo do designer gráfico Adonis Galvão, outro admirador desse estilo arquitetônico, por isso teve o cuidado de mantê-lo no projeto de reforma.
O apartamento já tinha passado por uma reforma e estava um pouco descaracterizado. A solução foi resgatar a estética externa do prédio e usá-la no interior”, conta Adonis. Os cobogós, por exemplo, entraram literalmente na cozinha coma abertura de uma parede para dar lugar a uma cortina de vidro. Assim, o elemento original da fachada foi aproveitado esteticamente, além de proporcionar luze ventilação naturais. Esse recurso visual ainda foi reproduzido em alguns pontos do apartamento e, combinado com o piso de granilite, um material típico da época em que o prédio foi erguido, mantém vivo o espírito modernista.
Outra característica dos imóveis cinquentistas é a disposição dos ambientes: a área social fica no piso superior (entrada do apartamento) e os quartos, no inferior. “É possível dançar em dia de festa sem atrapalhar o vizinho de baixo”, diz Adonis. Assim, no piso superior fica a sala de estar, que recebeu base branca para valorizar as tapeçarias e as obras de arte. Para não misturá-las a tudo que pode vir da cozinha, como cheiro e fumaça, a opção foimanter a separação dos dois ambientes. Por conta disso, despensa, banheiro e área de serviço foram retirados para ampliar a cozinha e integrar a sala de jantar no mesmo ambiente. O andar inferior é a área íntima, com três quartos. O banheiro foi revertido para a suíte e criou-se um novo banheiro social abaixo da escada de alvenaria. O segundo quarto tornou- -se sala de TV e o terceiro, escritório.
Um apartamento projetado por Niemeyer evoca clima de brasilidade e vem daí a inspiração para a decoração. Mobiliário dos anos 1950 a 1970–a maioria garimpado e restaurado, inclusive peças do arquiteto –, coleção de garrafas e aves de porcelana e tapeçarias multicoloridas de Kennedy Bahia (1929-1995). Trata-se de um artista plástico de origem chilena que morou na região amazônica e na Bahia e se encantou pela fauna e flora do Brasil, as quais retratou em suas obras. Considerado o nome maior da tapeçaria do país nos anos 1960 e 1970, teve suas obras expostas em lugares importantes, como o Palácio da Alvorada, em Brasília.

-
Content section component
-

-

-

-



















