Após habeas corpus, cardiologista investigado por suposto feminicídio da esposa vai usar tornozeleira eletrônica

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Foto: Reprodução

O cardiologista de 78 anos, investigado por suposto feminicídio da fisioterapeuta Fabiola Marcotti, de 51 anos, em crime ocorrido na segunda-feira (18), teve a liberdade provisória autorizada pela Justiça na sexta-feira (22), dois dias após ter a preventiva decretada na audiência de custódia.

Com a nova decisão, ele terá que fazer uso da tornozeleira eletrônica e cumprir uma série de restrições cautelares, como não deixar a cidade e ter que ficar em casa no período noturno. A expectativa é que o médico deixe o Centro de Triagem Anísio Lima ainda na manhã deste sábado (23) e vá até a Central de Monitoramento para instalação do dispositivo.

Até o momento, o médico responde apenas pelos crimes de posse ilegal de arma de fogo, tanto de uso restrito como de uso permitido, e também por fraude processual, já que a cena foi alterada antes da chegada da perícia. Além dele, o caseiro e um ex-funcionário também foram presos por participarem do crime de fraude processual, no entanto, pagaram a fiança e já estão soltos.

Segundo a investigação, o cardiologista ordenou que os dois removessem um armário com armas e munições do interior da casa para outro cômodo externo antes da chegada das autoridades, logo após encontrar o corpo da esposa no quarto, no piso superior da mansão, situada no bairro Chácara dos Poderes, em Campo Grande.

Na quarta-feira (20) aconteceram o velório e o sepultamento da fisioterapeuta Fabiola Marcotti. Amigos e familiares estiveram prestando as últimas homenagens, mas ninguém conversou com a imprensa sobre a suspeita de feminicídio ou da prática do suicídio. No dia em que os fatos aconteceram, vizinhos disseram aos jornalistas que o médico era uma pessoa ciumenta.

Investigação

Na terça (19), o delegado Leandro Santiago, um dos responsáveis pelo caso, detalhou que a vítima morreu por consequência do disparo de um tiro na cabeça, sem possibilidade de sobreviver. Durante os depoimentos das testemunhas e do próprio médico, houve versões contraditórias sobre a dinâmica dos fatos.

Um dos pontos que chamou a atenção da investigação está na mudança repentina de um armário usado para guardar armas de fogo e munições — o médico é colecionador (CAC). O delegado apontou para fraude processual, já que o armário foi retirado da casa e levado para outro imóvel na propriedade logo após a morte da vítima. O caseiro e mais um ex-funcionário ajudaram o médico na mudança.

Ainda na atualização, Leandro Santiago destacou que a perícia preliminar encontrou inconsistências entre o ferimento na cabeça e a versão apresentada pelo médico. “A lesão que a vítima tinha na região da cabeça não condizia com a versão apresentada pelo suspeito”. Na casa, foram apreendidas armas longas, munições e armamentos de uso permitido e restrito.

Na versão do médico, a esposa fez a rotina matinal e foi ao andar superior, não retornando mais. Por conta disso, ele foi até o quarto, mas a porta estava trancada por dentro. Estranhando o fato, o médico retornou ao andar inferior e ligou para a esposa, que não atendeu. Na sequência, ouviu o barulho do disparo de uma arma de fogo. Ao subir novamente, encontrou a porta do quarto aberta e a esposa morta.