Após resgate de 92 pessoas em 2025, MS lança plano estadual para erradicar trabalho escravo

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Levantamento aponta 12 casos e 92 trabalhadores resgatados em 2025 (Foto: Ministério Público do Trabalho)

Evento ocorre nesta quarta-feira (28), no Bioparque Pantanal, e reúne governo, Justiça e sociedade civil

Antes mesmo de as portas do Bioparque Pantanal se abrirem ao público na manhã desta quarta-feira (28), o Estado dá um passo simbólico e prático contra uma violação que ainda persiste em Mato Grosso do Sul. Das 8h às 10h, o governo lança oficialmente o Plano Estadual para a Erradicação do Trabalho Escravo, iniciativa que reúne poder público e sociedade civil para enfrentar a exploração de trabalhadores em condições análogas à escravidão.

O lançamento é coordenado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) e será realizado de forma presencial, em Campo Grande. A cerimônia deve reunir autoridades estaduais, representantes do sistema de Justiça, órgãos públicos, entidades da sociedade civil, setor produtivo e parceiros institucionais.

Durante o evento, será apresentada a proposta do plano, que consolida diretrizes, ações e compromissos intersetoriais voltados à prevenção, repressão e assistência às vítimas do trabalho escravo contemporâneo. Segundo a Semadesc, o documento vai além de uma formalização administrativa e representa um momento de alinhamento e mobilização coletiva, com foco na dignidade humana, nos direitos fundamentais e na promoção do trabalho decente no Estado.

A iniciativa ocorre em um cenário que reforça a urgência do tema. Em 2025, Mato Grosso do Sul registrou 12 casos de trabalho escravo, com o resgate de 92 trabalhadores, conforme levantamento divulgado nesta terça-feira (27) pela Comissão Pastoral da Terra (CPT). A pecuária concentrou a maior parte das ocorrências, com 59 registros, seguida por lavouras, produção de carvão vegetal e lavouras temporárias.

Desde 1995, o Estado soma 165 casos, com 3.335 trabalhadores resgatados, números que evidenciam a permanência da exploração de mão de obra em condições degradantes, sobretudo no meio rural. Diante desse quadro, o governo destaca que a erradicação do trabalho escravo é uma responsabilidade compartilhada por toda a sociedade.

O evento é aberto ao público, mediante inscrição prévia, e acontece no auditório do Bioparque Pantanal. A Semadesc coordena a iniciativa no âmbito da Comissão Estadual para Erradicação do Trabalho Escravo (Coetrae-MS), da qual a CPT-MS também faz parte. Estão confirmadas ainda a participação de secretarias estaduais, do Ministério Público do Trabalho e da Defensoria Pública do Estado.

O lançamento do plano integra a Semana Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, realizada em alusão ao Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, celebrado em 28 de janeiro. Desde o dia 18, a CPT-MS promove oficinas, palestras, rodas de conversa e ações educativas em comunidades rurais e urbanas, assentamentos, acampamentos e retomadas indígenas.

Entre as atividades abertas ao público está também uma panfletagem de sensibilização na Praça Ary Coelho, no Centro de Campo Grande, a partir das 14h desta quarta-feira. A programação segue até o dia 30 de janeiro, com foco na conscientização sobre direitos trabalhistas e no enfrentamento das violações relacionadas ao trabalho escravo contemporâneo.

No cenário nacional, os dados seguem a mesma tendência. Apenas em 2025, mais de 3 mil pessoas foram resgatadas de condições análogas à escravidão no Brasil. Nos últimos quatro anos, esse número ultrapassa 11,5 mil trabalhadores, com cerca de 75% dos casos registrados no campo, principalmente em lavouras, pecuária, mineração e carvoarias.