Debate sobre o Cinema e o Audiovisual em Campo Grande foi realizado pela Câmara Municipal, na manhã desta quarta-feira, dia 8. A Audiência Pública foi proposta pela vereadora Luiza Ribeiro, presidente da Comissão Permanente de Cultura da Casa de Leis. As discussões buscaram a valorização do setor, a política cultural, economia criativa, geração de emprego e fomento às produções. Produtores culturais, acadêmicos, professores e cineastas participaram da discussão.
A vereadora Luiza Ribeiro ressaltou as políticas municipais do cinema e audiovisual em Campo Grande. “Temos um mercado muito grande para o audiovisual. A Câmara e o Executivo também precisam projetar legislações e o executivo municipal também, com ajuda de outras instituições para que o cinema tenha um espaço central na cultura da nossa cidade e no planejamento do desenvolvimento econômico”.
A vereadora recordou ainda os recursos para o setor de audiovisual em Campo Grande, informando que o Governo deve receber R$ 9 milhões e Campo Grande R$ 3 milhões. “Estamos em um novo momento do cinema brasileiro, ganhando prêmios e Campo Grande não pode ficar fora de ser uma cidade do cinema”.
No começo da Audiência, foi exibido o documentário Salas de Sonhos, recordando a histórias dos cinemas que já existiram em Campo Grande. O primeiro cinema data de 1910. O material tem como direção e pesquisa a cineasta Marineti Pinheiro.
“É a primeira vez que temos uma audiência específica sobre o cinema e o audiovisual, atividade que tem crescido muito na nossa cidade”, afirmou Marineti Pinheiro. Ela ressaltou ainda alguns desafios enfrentados, principalmente em relação ao financiamento das atividades por editais públicos. “O setor do audiovisual tem várias fases: do desenvolvimento, da produção, da distribuição, então a gente tem vários temas a conversar sobre a atividade econômica, mas também sobre o processo histórico do cinema em Campo Grande”, disse.
Uma das motivações do debate foi em função do leilão do antigo Cine Campo Grande, localizado na Rua 15 de Novembro, no Centro de Campo Grande. O local foi fechado em 2012 e comprado pelo Sesc no ano seguinte. Profissionais do setor cultural protestaram contra o leilão do prédio, diante da expectativa que o espaço continuasse dedicado ao mesmo fim. Uma das sugestões na Audiência foi propor alguma concessão para que esse espaço seja destinado para um cine público municipal, diante da falta de locais adequados para exibição das produções, principalmente locais, em Campo Grande.
O debate contou com participação, por vídeo, de Sônia Santana, do Sindicato dos Trabalhadores do Audiovisual, que falou sobre as condições de trabalho dos profissionais da área, com a ideia de ampliar a participação para atender outros estados, a exemplo de Mato Grosso do Sul.
Estudantes do curso de graduação em Audiovisual da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) estiveram presentes na Casa de Leis, acompanhando o debate. O professor Márcio Blanco, coordenador do curso, ressaltou que os acadêmicos estão tendo a oportunidade de uma formação em cidadania e política. “É uma aula sobre os temas tratados na audiência, mas formação política para chama-los sobre a importância da participação política na cidade e como isso é importante para o setor do audiovisual”, disse.
Ele relembrou como o cinema brasileiro dialoga com o cinema de Mato Grosso do Sul, citando a necessidade de estimular o setor. “Temos o cinema indígena acontecendo em nosso Estado, que representa população significativa, dos povos originários, e temos produtoras de audiovisual importantes em nosso Estado, produzindo cinema independente”, ressaltou o professor.
O acadêmico Luís Fernando Pereira da silva ressaltou a importância da Audiência Pública para que “os vereadores possam conhecer o que os produtores precisam, para fiscalizar e aplicar as leis”.
O respeito pelo trabalho e pela classe foram mencionados por Gabriela Lima Ferlin, representante do Fórum Estadual de Cultura. Ela citou a redução de editais para o Audiovisual, o que causa impacto na economia. “O cinema mobiliza muitos setores, então quando se retira recursos há vários impactos”, alertou. Ela lembrou que ano passado foram 15 projetos na Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), passando para zero neste ano. “Não podemos deixar que reduza esse investimento”.
Representantes do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul, do Ministério da Cultura, da Fundação Municipal de Cultura (Fundac) e do Sebrae também falaram no debate. Solimar Alves, da diretoria de editais da Fundac, informou que o edital de arranjos regionais estava próximo do encerramento quando produtores levaram a informação para adesão. Havia necessidade de contrapartida, desta forma foi tirado recurso do edital do Fmic para o Audiovisual para alocar nesse outro arranjo, que resultaria em recursos mais amplos para a cidade. “Conseguimos aprovação”, afirmou, informando sobre a documentação que já foi enviada ao Ministério da Cultura. A expectativa é receber R$ 2,5 milhões. Ela falou ainda de questões administrativas e da necessidade de mais participação nas escutas públicas.
Encaminhamentos e proposições – No encerramento, a vereadora listou alguns dos pontos de resultado da Audiência: valorização profissional, com presença do sindicato da categoria e convenção coletiva, buscando respeito aos direitos, modernização e regulamentação de leis federais, aplicação de recursos do Fundo Municipal de Investimentos Culturais (FMIC) e Programa de Fomento ao Teatro (Fomteatro), que poderá somar R$ 8 milhões, reformulação do Plano Municipal de Cultura, fiscalização de editais, com enfoque também nas políticas afirmativas.
Na Câmara Municipal já tramitam duas propostas relacionadas ao setor de audiovisual. Um deles, de autoria do vereador Jean Ferreira e assinado também pela vereadora Luiza Ribeiro, institui a Política Municipal de Fomento, Difusão e Exibição do Cinema e Audiovisual na Rede Pública Municipal de Ensino de Campo Grande. O outro, da vereadora Luiza Ribeiro, institui diretrizes para a autorização e realização de produções audiovisuais em áreas públicas no Município de Campo Grande.
Na Audiência, também foi discutida a possibilidade de parceria com a TV Câmara para exibição de produções audiovisuais de Mato Grosso do Sul. A TV Câmara funciona hoje em rede aberta no canal 7.3.




















