Em entrevista ao programa Tribuna Livre, da Rádio Capital 95, nessa quarta-feira (14), a prefeita Adriane Lopes (PP) afirmou que assumiu a Prefeitura com déficit e, para poder organizar as contas, precisou investir em uma medida impopular, no caso, o reajuste do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e também na atualização do PSEI (Perfil Socioeconômico Imobiliário), responsável por definir os valores de avaliação dos imóveis, algo que não acontecia desde 2017.
Ela reforçou que desde o ano passado sua equipe administrativa está trabalhando para reduzir os gastos. Como parte deste processo, foi aprovado um plano de equilíbrio fiscal, entretanto, as medidas não foram o suficiente para equilibrar as contas, principalmente por que houve uma queda na arrecadação de impostos, especialmente no ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e no próprio IPTU, por conta de isenções para algumas faixas exclusivas de moradia.
“Herdei uma bomba, que foi sendo desarmada no decorrer de 2025. Nos anos anteriores fomos trabalhando, se virando, mas não tinha equipe própria. Então, começamos a trabalhar para melhorar os indicadores. Cortamos até chegar ao final do ano e não ter mais onde cortar. Com isso, é preciso dar o próximo passo, duro, difícil e impopular, que é aumentar, reajustar o IPTU e a taxa de lixo, que foram reajustados pela última vez em 2018”, explicou.
Adriana Lopes explicou que o aumento nos valores do IPTU deste ano é resultado da atualização do PSEI e acusou seus antecessores de fazerem políticas públicas e prejudicar os cofres públicos, empurrando para futuras administrações. “Na última década, prefeitos populistas escolheram não atualizar, prejudicando os avanços na cidade. Na minha vez, ou faço, ou prevarico. Eu estou com uma faca no meu pescoço de um lado e de outro”.
Com a atualização do PSEI, vários imóveis que antes eram beneficiados com a isenção do IPTU prevista na Lei Municipal 5.680/2016, que garante o benefício para casas financiadas pelo programa ‘Minha Casa, Minha Vida’ com o valor venal de até R$ 83.000,00, deixaram o enquadramento por receberem avaliação da prefeitura maior devido às benfeitorias realizadas na edificação, tais como varanda, novos cômodos ou edículas, além da infraestrutura no próprio bairro.
“Há mais de uma década não tem a atualização da planta genérica de valores imobiliários de Campo Grande. Você pode olhar o seu IPTU, você não venderia seu imóvel no valor que consta no seu IPTU porque houve uma valorização do seu imóvel nos últimos 10 anos, mas não houve uma atualização cadastral”, explicou a prefeita na entrevista. “No Jardim Veraneio, era cobrada a taxa de lixo como se fosse o Jardim Noroeste. Na atualização, tivemos o aumento do valor cadastral porque o valor dos imóveis naquela região é diferente”.
Sobre isso, a prefeita reafirmou que é uma medida impopular, que vai afetar a sua imagem, mas é algo necessário hoje. “A valorização imobiliária de Campo Grande foi muito grande na última década e não teve a correção. Mesmo que seja impopular, é uma medida que está dentro da legalidade. Isso traz impopularidade porque muitos outros prefeitos que passaram não tiveram coragem de fazer, com medo de não serem reeleitos no futuro”, finalizou.











