Avião que caiu no Pantanal fazia táxi-aéreo clandestino, aponta polícia

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Publicado em 17/03/2018 15h25

Avião que caiu no Pantanal fazia táxi-aéreo clandestino, aponta polícia

Segundo laudo, mesmo interditada, a MS Táxi Aéreo continuava a atuar no mercado. Empresa nega que avião acidentado pertencesse a ela. Piloto da aeronave morreu na época do acidente, em setembro de 2016.

G1 MS

O avião bimotor que caiu na fazenda Novo Horizonte, em Miranda, no Pantanal de Mato Grosso do Sul, fazia táxi-aéreo clandestino na época do acidente, em setembro de 2016. Essa foi a conclusão do laudo da Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado (Deco). O piloto Marcos Davi Xavier, de 38 anos, morreu com a queda da aeronave.

“O que a gente verificou, principalmente nos documentos apreendidos na MS Táxi Aéreo, é que de fato, mesmo ela interditada pela Anac em março de 2016, ela continuou com serviço remunerado de passageiros de aeronave se utilizando de aeronaves que eram colocadas em nome de um dos sócios-proprietários, como se privada fosse, e ofertando. Isso configura o crime de estelionato e na fala da aviação civil configura táxi-aéreo clandestino”, afirmou a delegada da Deco Ana Cláudia Oliveira Marques Medina.

O gestor de segurança operacional da MS Táxi Aéreo, Rafael Barbosa, afirmou que o piloto Marcos Xavier trabalhava para a empresa, mas que o avião envolvido no acidente não pertencia à MS Táxi Aéreo. Além disso, Barbosa disse que a gerência antiga foi toda demitida e que a empresa está colaborando com a investigação da Deco.

A queda do avião ocorreu quando Xavier voltava sozinho para Campo Grande, depois de deixar uma família na fazenda onde aconteceu o acidente. Segundo a delegada, a família não sabia que a proprietária do avião não era a empresa contratada.

“Eles comprovaram que fizeram uma contratação com a MS Táxi Aéreo. Ali era táxi-aéreo clandestino e o Marcos acabou vindo a óbito”, afirmou Medina.

Os peritos do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) estiveram no local do acidente e, depois de constatarem falha de manutenção, transferiram a investigação para a Polícia Civil, em dezembro de 2017.

Na época, o perito criminal Domingos Sávio afirmou que o laudo apontou a falta de manutenção preventiva dos cabos. Eles travaram no voo e impossibilitaram o piloto de controlar a aeronave. Outra irregularidade constatada foi em relação à documentação. O mesmo avião sofreu acidente em 2013 na mesma fazenda e o fato não foi comunicado a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Danos moraisA companheira do piloto entrou com uma ação de danos morais contra a empresa de aviação. Segundo o advogado Osvaldo Gabriel Lopes, na próxima sexta-feira (23) encerra a fase de instrução e a sentença deve sair entre 90 e 120 dias.

“É um direito que precisa ser buscado pela honra daquele que partiu”, afirmou Lopes .

Acidente

O avião caiu em uma área de brejo a cerca de 30 quilômetros de distância da entrada da fazenda. Um helicóptero localizou os destroços dois dias depois do acidente e como não havia condições de descer nas proximidades, uma equipe retornou ao local.

A Polícia Civil encontrou as asas das aeronaves a 250 e 450 metros, respectivamente, do restante dos destroços. Uma peça apreendida durante força-tarefa ajudou a elucidar o motivo da queda e rompimento dos estabilizadores da aeronave em pleno voo.

O corpo do piloto foi encontrado no dia seguinte ao acidente pela Força Aérea Brasileira (FAB).

Restos do avião bimotor que caiu na fazenda Novo Horizonte, em Miranda, em setembro de 2016 (Foto: Reprodução)