Banco Central abre investigação interna após liquidação do Banco Master

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Não há prazo para o fim da investigação por parte da corregedoria (Foto: Marcelo Casal JR- AB)

Corregedoria do BC apura falhas na fiscalização que permitiram crescimento arriscado do banco; ex-diretor e chefe de supervisão foram afastados

O Banco Central (BC) iniciou uma auditoria interna para investigar o crescimento acelerado e a posterior liquidação do Banco Master, medida que gerou repercussão entre órgãos de fiscalização e instabilidade no sistema financeiro. A sindicância, conduzida pela corregedoria do BC, tem como objetivo identificar falhas na supervisão e fortalecer a governança interna da instituição.

A decisão foi anunciada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, e envolve a análise das operações de risco que motivaram a liquidação extrajudicial do banco, decretada em novembro do ano passado. A medida ocorreu após suspeitas de irregularidades financeiras, incluindo a venda de carteiras de crédito fraudulentas.

Entre os servidores afastados durante a auditoria estão Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização, e Belline Santana, chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup). Ambos pediram exoneração de seus cargos, mas, até o momento, não há acusações formais contra eles.

O BRB (Banco de Brasília) informou que recebeu carteiras do Banco Master como forma de compensação por títulos considerados “podres”, parte deles originados pelo Will Bank, que também foi liquidado recentemente. Atualmente, os ativos estão em avaliação para determinar sua real condição e a adequação dos valores envolvidos.

A liquidação extrajudicial do Master significou que o banco deixou de integrar o sistema financeiro nacional, com um liquidante assumindo o controle da instituição para encerrar operações. O caso mobilizou ainda o Tribunal de Contas da União (TCU) e motivou debates internos no BC sobre a necessidade de aperfeiçoar mecanismos de fiscalização.

Segundo Galípolo, a investigação não tem caráter punitivo, mas busca prevenir que situações semelhantes voltem a ocorrer. O processo conduzido pela corregedoria do BC não tem prazo definido para conclusão, e as análises incluem toda a documentação e decisões ligadas ao Master.

O TCU questionou inicialmente a liquidação, determinando inspeção sobre os documentos do banco, mas após reuniões entre Galípolo e o presidente do tribunal, Vital do Rêgo Filho, as diligências foram redefinidas para análise técnica, evitando uma inspeção formal.

O caso do Banco Master, que envolve grandes somas de dinheiro e operações de risco, reforça a importância do controle interno do sistema financeiro e do papel do Banco Central na supervisão das instituições bancárias.