Decisão unânime confirma expectativas do mercado; Selic está estável desde junho de 2025
O Banco Central manteve nesta quarta-feira (28) a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 15% ao ano, nível mais alto em quase 20 anos, mas sinalizou que cortes podem começar já na próxima reunião, em março, caso a inflação siga em trajetória de desaceleração. A decisão unânime do Comitê de Política Monetária (Copom) confirma o cenário esperado pelo mercado financeiro, que prevê a manutenção dos juros neste patamar por um período prolongado.
Selic estacionada e expectativa de corte
O atual patamar da Selic é o mais elevado desde julho de 2006, quando estava em 15,25% ao ano. A taxa permanece em 15% desde junho de 2025, completando quatro reuniões consecutivas sem alteração. O Copom reforçou que manterá a restrição monetária adequada para garantir que a inflação converge para a meta definida pelo sistema de metas, que é de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual.
Segundo o comunicado, “o comitê antevê, se o cenário projetado se confirmar, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém mantém a cautela quanto à magnitude e ritmo do corte”.
Cenário econômico e política monetária
O Banco Central destaca que a economia brasileira apresenta sinais de moderação da atividade, inflação ainda acima da meta, mas controlada, e um mercado de trabalho resiliente. No cenário externo, a autoridade monetária aponta incertezas geopolíticas e políticas nos Estados Unidos, que influenciam as condições financeiras globais e exigem cautela na condução da política monetária.
Para definir os juros, o Copom considera projeções futuras de inflação, pois mudanças na Selic levam de seis a 18 meses para ter efeito pleno sobre a economia. O Comitê projetou um IPCA de 3,2% para o terceiro trimestre de 2027, mantendo expectativa de inflação próxima à meta no horizonte relevante da política monetária.
Repercussão e expectativas
Integrantes do governo defendem a redução dos juros, argumentando que o nível elevado impacta negativamente a atividade econômica. Já o mercado financeiro projeta corte gradual da Selic, com expectativa de encerramento do ano em 12%, sem possibilidade de retornar a dígitos baixos antes do final de 2027.
O Copom é formado pelo presidente do Banco Central e oito diretores, e a reunião desta quarta contou com dois votos a menos devido às saídas de dois diretores, cujos substitutos ainda não foram indicados pelo governo.




















