Bebê resgatado com sinais de maus-tratos e estupro morre na Santa Casa; mãe e padrasto estão presos

14
Foto: Ilustração

O bebê de um ano e oito meses resgatado pelo SAMU de uma situação de maus-tratos e estupro, em Campo Grande, não resistiu aos ferimentos e faleceu na manhã dessa quinta-feira (30) na Santa Casa, onde estava hospitalizado.

Segundo a assessoria de imprensa do hospital, o menino teve morte encefálica, sendo o protocolo iniciado ontem (29) e o óbito ocorrido por volta das 5h de hoje. Ele estava sob cuidados do Conselho Tutelar e também dos avós.

O caso é investigado pela DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente). A mãe, de 31 anos, e o padrasto, de 21, foram presos por maus-tratos e abuso sexual.

O caso

A apuração aponta que ela deixou o bebê com o marido na terça-feira (28) para poder ir trabalhar. Entretanto, a vítima teria se engasgado com o leite da mamadeira e ficado inconsciente. O jovem, então, acionou o SAMU para o socorro.

Quando a equipe chegou ao local, no bairro Santa Luzia, foi preciso fazer manobras de reanimação cardíaca por conta de uma parada. Em seguida, foi levada para a Santa Casa em estado grave.

Durante o atendimento, o médico verificou um hematoma na cabeça, que se estendia até próximo dos olhos, além de outros característicos de violência e quedas. A Polícia Militar constatou indícios de estupro e manchas de sangue na cama e na coberta do bebê.

Pressionado sobre os fatos, o padrasto relatou que a criança teria sofrido uma queda no banheiro no dia anterior, mas não o levaram para atendimento médico, acreditando que não era nada grave. No imóvel, foi apreendida uma porção de maconha e o casal disse ser usuário.

Um laudo médico confirmou hematomas na região íntima, além de marcas em diferentes estágios nas costas e nas pernas do bebê. O Conselho Tutelar disse que não há registros de denúncias ou atendimentos da família.

Após os fatos, o órgão constatou que a criança não tinha acompanhamento regular de saúde. A carteira de vacinação estava atrasada e só foi atualizada em janeiro de 2026, quando o bebê passou a frequentar um projeto social.

Também não foram encontrados registros frequentes de consultas médicas, o que reforçou o alerta das autoridades.

Diante dos fatos, o jovem foi preso em flagrante por maus-tratos majorado e estupro de vulnerável. Já a mãe vai responder apenas por maus-tratos majorados. Nessa quinta, na audiência de custódia, os dois tiveram a preventiva decretada pela Justiça.

Depoimento

Em depoimento na DEPCA, o padrasto negou ter agredido, sustentando que sempre teve uma boa relação com o menino, mesmo não sendo seu filho biológico. “Não tenho filho e, desde quando eu casei, eu cuido dele como se fosse meu filho”, disse o jovem.

Sobre o dia em que os fatos aconteceram, ele relatou que a esposa foi trabalhar por volta das 6h50 e o deixou sozinho com o bebê, como de costume. Quando ela saiu da casa, deu uma mamadeira para o bebê, quando acabou, o levou para tomar banho.

Ele pontuou que o menino engasgou com o leite, pois tinha vomitado. Ele também constatou que o corpo estava mole. “Fui pegar ele e já estava meio mole, eu só liguei a água no corpo dele e já liguei no Samu”, declarou no depoimento.

Em seguida, acionou a esposa para informar o que tinha acontecido. No atendimento, o Samu pediu que fizesse massagem cardíaca em Kalebe e, logo, a Polícia Militar chegou ao imóvel e também passou a fazer as manobras.

Quando a equipe do SAMU também chegou, o bebê foi reanimado e levado para a Santa Casa em estado grave. Interrogado sobre os hematomas e possível abuso sexual constatados pelos médicos, o rapaz afirmou ter percebido uma mancha nas costas e na testa.

Na ocasião, explicou que obebê tinha escorregado no banheiro durante o banho no fim da manhã de segunda-feira (27), no momento em que se ausentou para pegar a toalha no varal. “Quando cheguei, já tinha caído; e, nesse caso, machucou a testa”.

Ao ser questionado sobre as lesões com suspeita de abuso sexual, disse que não sabia o que falar. Sobre hematomas na virilha e nas pernas, alegou que Kalebe costumava ficar com manchas na perna quando ficava nervoso.

Ele negou ter agredido o bebê, mas afirmou ter visto a companheira o agredindo em outras ocasiões, alegando “agressão de ‘educação’”. Por fim, confirmou que a esposa e ele usaram drogas entre 19h e 20h do dia anterior.