Pagamentos movimentaram R$ 3,1 trilhões em 2025 e intensificam disputa entre bancos e fintechs
Mais de 40 mil compras por minuto: esse foi o ritmo médio de transações com cartão de crédito no Brasil ao longo de 2025, segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs). O número ajuda a dimensionar a força do meio de pagamento no consumo das famílias e também explica por que bancos e fintechs disputam cada vez mais espaço nesse mercado.
De acordo com a Abecs, as transações com cartão de crédito movimentaram R$ 3,1 trilhões no país em 2025, crescimento de 14,5% em relação a 2024. O desempenho contrasta com o cartão de débito, que praticamente ficou estável, registrando leve alta de 0,2%, com volume de R$ 1 trilhão.
O avanço é sustentado pelo aumento no número de cartões em circulação. Dados do Banco Central do Brasil indicam que o país terminou o primeiro semestre do ano passado com 243 milhões de cartões de crédito ativos — mais de um por habitante, considerando a população de 213,4 milhões de pessoas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Esse cenário intensifica a disputa entre bancos e fintechs para conquistar o chamado cartão principal do consumidor — aquele que concentra a maior parte das compras. Para especialistas, mesmo que o cliente tenha vários cartões, geralmente apenas um é utilizado com mais frequência.
Entre os grandes bancos, a estratégia tem sido ampliar limites e lançar novos produtos. Juntos, Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil e Santander Brasil encerraram 2025 com R$ 373,7 bilhões em carteira de crédito no segmento, alta de 11,5% em comparação com o ano anterior.
Para clientes de maior renda, os bancos têm apostado em cartões com benefícios exclusivos, como acesso a salas VIP em aeroportos, pré-venda de shows e parcerias com redes de hotéis e companhias aéreas. Já para a classe média, as instituições ampliam ofertas de cartões sem anuidade e com condições mais flexíveis.
Entre as fintechs, o destaque fica para o Nubank, que ampliou limites de crédito com apoio de ferramentas de inteligência artificial para identificar clientes com maior potencial de consumo. Segundo a empresa, o volume de limites disponíveis e ainda não utilizados passou de US$ 18 bilhões para US$ 28 bilhões em apenas um ano.
Apesar do crescimento, o setor enfrenta um novo concorrente com o avanço do Pix, especialmente com a modalidade de pagamento parcelado. Analistas avaliam que o recurso pode reduzir a participação dos cartões em algumas transações, principalmente nas compras parceladas sem juros.
Especialistas avaliam, porém, que o mercado ainda tem espaço para crescer por mais dois ou três anos, embora o volume de transações já se aproxime de um possível ponto de saturação. Nesse cenário, bancos e fintechs devem investir cada vez mais em benefícios e diferenciais para garantir a preferência do consumidor.




















