Documentário aborda intolerância religiosa e o protagonismo feminino no Candomblé

23
Foto: Divulgação/Vânia Jucá

Há saberes que não estão nos livros, mas sim guardados na memória, na fala e no coração de mulheres que carregam histórias passadas de geração em geração. É justamente esse universo que o documentário Candomblé por Elas vem mostrar, com um olhar poético e verdadeiro. As gravações já terminaram e o curta-metragem, de 25 minutos, agora entra na etapa de pós-produção, com lançamento marcado para setembro deste ano.

Com direção de Elis Regina Nogueira e roteiro de Ana Paula Araújo e Mari Saldanha, o filme é um convite para conhecer o Candomblé da nação Kétu sob a perspectiva de quem é a base, o alicerce e a alma dessa religião: as mulheres. Elas são as personagens centrais que conduzem o público por cada detalhe dessa tradição rica e cheia de significado.

“Na tela, vamos ver o jogo de búzios que abre caminhos, o poder das ervas e dos banhos que renovam as energias, a cozinha sagrada onde cada alimento tem um sentido, os cantos que contam histórias, as danças que celebram a vida e as vestimentas que são verdadeiras obras de arte e proteção espiritual”, conta Ana Paula Araújo.

Documentário aborda intolerância religiosa e o protagonismo feminino no Candomblé
Foto: Divulgação/Vânia Jucá

Mas essa história vai muito além de apresentar rituais bonitos e cheios de ancestralidade. O documentário também acende um alerta importante: o de que, apesar de toda a sua importância para a cultura brasileira, o Candomblé e outras religiões de matriz africana ainda são alvo de muita desinformação, preconceito e intolerância religiosa. Muitas vezes tratadas com distorção ou invisibilidade, essas crenças carregam um peso histórico de discriminação que ainda precisa ser enfrentado e vencido.

“Este filme nasce do desejo de mostrar o Candomblé a partir da perspectiva de quem sustenta essa tradição no cotidiano: as mulheres. São elas que guardam conhecimentos, acolhem, orientam e mantêm viva uma herança ancestral que ajudou a formar a identidade cultural brasileira. Ao mesmo tempo, o documentário é um convite à reflexão sobre o respeito à diversidade religiosa e sobre a urgência de combater preconceitos que ainda persistem”, explicou a roteirista.

Documentário aborda intolerância religiosa e o protagonismo feminino no Candomblé
Foto: Divulgação/Vânia Jucá

O protagonismo feminino aqui não é novidade: dentro dos terreiros, essas mulheres são líderes, mestras, mães e guardiãs de um saber que moldou parte da identidade do nosso país — e também de Mato Grosso do Sul. Ao dar espaço para essas vozes, Candomblé por Elas ajuda a contar uma parte da nossa história que, por muito tempo, foi deixada de lado nas narrativas oficiais. É também uma forma de reconhecer e celebrar a presença afro-brasileira que faz parte da formação de Campo Grande e de todo o estado.

Idealizado e apresentado pela produtora Vânia Jucá, o projeto foi viabilizado graças ao Edital nº 24/2024 — Fomento à Cultura Popular, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB). Quando ficar pronto, em setembro, o filme será mais do que uma exibição: será um ato de respeito, de visibilidade e de luta por um mundo onde toda fé, toda história e toda mulher possam existir e brilhar sem medo.