Reajuste supera 1.100% e provoca reação de sindicatos e servidores em Mato Grosso do Sul
O anúncio de um reajuste na contribuição dos cônjuges de beneficiários da Cassems provocou reação entre servidores públicos e entidades sindicais de Mato Grosso do Sul. A mudança, que entra em vigor já na próxima cobrança, elevou a taxa fixa de R$ 35 para R$ 450 e abriu um debate sobre o financiamento do plano de saúde dos servidores estaduais.
A medida foi confirmada pela Caixa de Assistência dos Servidores do Estado de Mato Grosso do Sul, que justificou o aumento com base em estudos técnicos apontando desequilíbrio nas contas relacionadas aos dependentes cônjuges.
Segundo a Cassems, o novo valor passará a valer na competência de maio de 2026, com vencimento previsto para 10 de junho. A operadora informou ainda que não haverá alterações nas contribuições cobradas dos titulares nem dos filhos dependentes.
Déficit de R$ 189 milhões motivou reajuste
De acordo com dados divulgados pela própria instituição, o grupo de cônjuges arrecadou cerca de R$ 61 milhões nos últimos 12 meses, enquanto as despesas assistenciais ultrapassaram R$ 250 milhões.
Na prática, segundo a Cassems, para cada R$ 1 arrecadado com esse grupo, foram gastos aproximadamente R$ 4,08 em atendimentos, exames, internações e demais despesas médicas.
A operadora afirma que o aumento dos custos da saúde suplementar, impulsionado pelo envelhecimento da população, novas terapias e medicamentos de alto custo, tem pressionado financeiramente os planos de saúde em todo o país.
Ainda conforme a gestão, antes do reajuste foram adotadas medidas de contenção de despesas e melhoria de processos administrativos, que teriam gerado economia superior a R$ 104 milhões no último ano.
Cobrança será por boleto, Pix ou desconto em folha
A nova cobrança ocorrerá prioritariamente por boleto bancário e Pix Automático. Também será possível optar pelo desconto em folha de pagamento, desde que o beneficiário faça autorização presencial em uma unidade da Cassems.
Para alterar a modalidade de cobrança, o titular deverá comparecer a uma unidade da operadora.
Mesmo com o reajuste, a instituição argumenta que o plano ainda possui uma das menores médias de custo per capita entre sistemas de saúde semelhantes no Brasil. Segundo a Cassems, a contribuição média passará de R$ 528 para R$ 592, valor que, de acordo com a operadora, ainda fica abaixo de planos equivalentes no mercado privado.
Sindicatos cobram participação do governo
O reajuste repercutiu entre entidades representativas dos servidores estaduais.
A Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (Fetems) informou, em nota, que vem cobrando maior participação financeira do Governo do Estado no custeio do plano, especialmente para servidores com salários menores.
Segundo a entidade, a Cassems possui papel fundamental na assistência à saúde dos trabalhadores do serviço público estadual.
A Associação e Centro Social dos Militares Estaduais e Pensionistas de Mato Grosso do Sul também se manifestou após o anúncio. A entidade informou que encaminhou pedido ao governador Eduardo Riedel solicitando medidas para reduzir os impactos financeiros causados pelo reajuste.
Debate deve chegar à Assembleia Legislativa
Nas redes sociais, o deputado estadual Pedro Kemp (PT) informou que a bancada do partido pretende discutir o tema na próxima segunda-feira (18).
O reajuste também reacendeu comparações com outros modelos de assistência médica no setor público. No Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG), por exemplo, não existe taxa fixa para inclusão de cônjuge, sendo cobrada uma contribuição equivalente a 2% do salário bruto do servidor.





















