Falta de vistorias e processo de importação atrasam implantação da tecnologia
A promessa feita para a largada do Campeonato Brasileiro de 2026 vai precisar esperar um pouco mais. Anunciado pela CBF como novidade para a rodada inaugural da Série A, marcada para começar em dez dias, o impedimento semiautomático ainda está em fase de implantação e não será utilizado no início da competição.
Apesar do acordo firmado com a mesma empresa responsável pela tecnologia usada na Premier League, a Confederação Brasileira de Futebol ainda enfrenta entraves operacionais para colocar o sistema em funcionamento. Entre os principais pontos pendentes estão a vistoria completa dos estádios que receberão a tecnologia — 27 ao todo na Série A — e o processo de importação dos equipamentos, que envolve centenas de aparelhos celulares a serem utilizados a cada rodada.
Até o momento, 16 estádios já passaram por vistoria técnica da CBF: Maracanã, Neo Química Arena, MorumBis, Mineirão, Arena MRV, Arena Fonte Nova, Arena Barueri, Barradão, Nilton Santos, São Januário, Ligga Arena, Couto Pereira, Cícero de Souza Marques, Vila Belmiro, Beira-Rio e Arena do Grêmio. Outros quatro ainda aguardam avaliação: Arena Condá, Baenão, Maião e Allianz Parque. Na última semana, técnicos da entidade estiveram em Porto Alegre para testes nos estádios da capital gaúcha.
A entidade informou que só fará a estreia oficial do impedimento semiautomático quando for possível atender a todos os dez jogos de uma rodada do Brasileirão. Por isso, não há uma data definida para o início do uso da tecnologia. Antes disso, o planejamento prevê a realização de jogos-teste para ajustes operacionais.
“A nossa expectativa é colocar o sistema em pleno funcionamento dentro de um modelo definitivo, após todos os testes necessários, em uma data que será anunciada em conjunto. O nosso compromisso é claro: entregar um projeto sólido, seguro e à altura da dimensão do futebol brasileiro”, afirmou, por meio da assessoria da CBF, Netto Góes, presidente do grupo de trabalho da arbitragem.
Além do Brasileirão da Série A, o impedimento semiautomático também deverá ser utilizado na Copa do Brasil, mas apenas nos estádios previamente vistoriados e cadastrados pela Genius Sports, empresa contratada pela CBF e que também presta serviço à Premier League, além de ligas da Bélgica e do México.
O sistema funciona a partir da instalação de cerca de 30 aparelhos de telefone celular por estádio, que precisam de energia elétrica e conexão à internet. Os dispositivos — modelos iPhone 16 Pro ou 17 Pro — gravam toda a partida em 4K, a 100 quadros por segundo, permitindo a criação de uma réplica digital do jogo para a análise precisa das linhas de impedimento.
Em entrevista concedida ao Globo Esporte em outubro do ano passado, o executivo da Genius, Harry Lennard, estimou que seriam necessários cerca de quatro meses para a instalação dos equipamentos, além do treinamento das equipes e da realização de testes. Na Inglaterra, a tecnologia passou a ser utilizada a partir da 32ª rodada da temporada 2024/2025 da Premier League.




















