O medo de ser exposta publicamente em imagens falsas criadas com inteligência artificial tem crescido significativamente entre as mulheres ao longo dos últimos anos, especialmente por conta do avanço das plataformas de inteligência artificial (IA) e ferramentas de manipulação. Para auxiliar, orientar e proteger contra este tipo de crime, o Boticário, empresa brasileira de cosméticos, lançou o movimento Code Her, que disponibiliza um bot capaz de alertar as tentativas de modificação e sexualização de fotos por IA e também uma cartilha digital com informações sobre como denunciar e agir diante dessa situação.
Essas ações integram o movimento da marca de perfumaria Her Code, que, desde 2023, abre conversas e iniciativas sobre o prazer feminino, tema cercado por muitos tabus e violações graves contra o corpo. “A IA trouxe inúmeras possibilidades, mas é a intenção humana por trás do prompt [comando] que pode torná-la uma ferramenta de exposição e vulnerabilização”, afirma Carolina Carrasco, diretora de Branding e Comunicação de O Boticário e Quem Disse, Berenice?. “A nossa iniciativa é para nos posicionarmos cada vez mais como aliados da mulher, avançando na construção de projetos que extrapolam o universo da beleza, promovendo discussões e propondo soluções conectadas e construtivas”, complementa.
Criado pela agência AlmapBBDO, o projeto surge como um aliado educativo para abrir a conversa sobre manipulação de imagens por IA e incentivar a busca pelo conhecimento sobre os amparos legais. A iniciativa se desdobra em uma campanha multiplataforma com filme digital protagonizado pela cantora Marina Sena, além de contar com um conteúdo com Rose Leonel, jornalista que teve imagens íntimas divulgadas sem consentimento no início dos anos 2000. A campanha também reforça as informações sobre as leis existentes para denúncias destes crimes, tais como a “Lei Rose Leonel”, “Lei Carolina Dieckmann”, “Lei Maria da Penha” e o Marco Civil da Internet.
Conforme a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos da ONG SaferNet, houve um aumento de 224,9% nas denúncias de misoginia, violência ou discriminação contra mulheres. “Esse comportamento nas redes sociais é um sintoma sério da nossa sociedade.” Mas a internet não é uma terra sem lei. Com o Code Her, estamos usando IA com IA, para que as mulheres possam compartilhar fotos dos seus corpos como quiserem e que continuem sendo só delas”, destacam Ana Novis e Paula Keller Perego, diretoras de Criação da AlmapBBDO.

Como funciona o bot Code Her?
O Code Her foi desenvolvido como um bot, dentro da plataforma X (antigo Twitter), que pode ser acionado pelas próprias usuárias ao compartilhar suas fotos nesta rede social. Para isso, basta acessar o site do projeto (codeher.boticario.com.br), onde contém todas as informações e direcionais, e, ao aceitar os termos, ativar o recurso.
Após o acionamento, quando for publicar alguma foto, é só marcar o perfil @codeherbot na postagem para que o recurso, por meio do chatbot de IA, monitore a publicação. Se houver qualquer tentativa de manipulação da foto pelo Grok (IA do X), a foto não será mais exibida e um alerta sinalizando sobre a tentativa será enviado à vítima, indicando os canais oficiais para denúncia.
Grupo Boticário lançou canal no WhatsApp

O Grupo Boticário ampliou o debate sobre a realidade da violência contra as mulheres no Brasil ao lançar o canal de WhatsApp exclusivo “Precisamos Falar”, em parceria com Bloom Care, plataforma digital de saúde feminina fundada por mulheres e guiada pela ciência.
Durante todo o mês de março deste ano, o canal reuniu a comunidade médica, advogados e psicólogos para orientar a sociedade sobre como agir e enfrentar a violência contra a mulher, por meio de conteúdos acessíveis e com alto rigor técnico. Foram mais de 15 mil pessoas interagindo com o canal, mostrando que falar, ouvir e aprender sobre violência contra a mulher é urgente e necessário.
Dúvidas reais e questões urgentes da comunidade se transformam em escuta ativa e conteúdos cocriados com especialistas, provocando reflexões e ferramentas para que mulheres e homens entendam o que está por trás destes ciclos de violência e o que pode ser feito, enquanto sociedade, para ajudar mais pessoas a entender como agir diante da violência contra a mulher.




















