Com 1ª estação meteorológica no Pantanal, MS amplia monitoramento do clima

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(Fotos: Cemtec)

O Pantanal sul-mato-grossense passou a contar, pela primeira vez, com uma estação meteorológica própria, que já começou a transmitir dados em fase de testes. Instalada na Fazenda Campo Zélia, na região da Nhecolândia, município de Corumbá, a estação integra a rede de monitoramento do tempo do Governo do Estado, sob coordenação do Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec/MS).

O equipamento entrou em operação na última terça-feira (20), transmitindo informações diretamente para a base da NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica), nos Estados Unidos. Os dados serão redistribuídos para os sistemas meteorológicos nacionais, aprimorando a qualidade das previsões do tempo e o monitoramento climático.

Expansão da rede no estado

A instalação no Pantanal faz parte de um projeto maior de expansão da rede meteorológica de Mato Grosso do Sul, que prevê a implantação de 19 novas estações, sendo oito no bioma pantaneiro. Com isso, o Estado passará a contar com 61 estações interligadas, incluindo as já existentes do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

O investimento, de R$ 7,89 milhões, foi viabilizado por meio de uma parceria entre a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) e a Aprosoja/MS (Associação dos Produtores de Soja de MS).

Mais precisão e segurança

Para o secretário da Semadesc, Jaime Verruck, a ampliação da rede é fundamental não só para a segurança ambiental, mas também para o desenvolvimento sustentável do Estado. “Estamos preenchendo lacunas importantes, especialmente na região do Pantanal, onde antes não havia informações precisas sobre precipitação, temperatura e outros indicadores climáticos. Isso aprimora nossa capacidade de previsão e resposta a eventos extremos, como incêndios, secas e enchentes”, destacou.

Além da Nhecolândia, as outras estações do Pantanal serão distribuídas em áreas como Rio Paraguai, Nabileque, Abobral, Cáceres e Paiaguás. Fora da planície pantaneira, os novos pontos de monitoramento estão sendo instalados em Alcinópolis, Amambai, Anaurilândia, Água Clara, Inocência, Figueirão, Naviraí, Nioaque, Ribas do Rio Pardo, Paraíso das Águas e Corguinho.

Benefícios para vários setores

A coordenadora do Cemtec, Valesca Fernandes, explica que a ampliação da rede traz ganhos diretos para setores como agronegócio, turismo e indústria, além de fortalecer o enfrentamento às mudanças climáticas. “Com mais dados em tempo real, as previsões se tornam mais precisas. Isso permite planejar melhor as safras agrícolas, organizar a logística, reduzir perdas e prevenir desastres naturais. O monitoramento constante também auxilia a ciência na compreensão de fenômenos como secas prolongadas e eventos de chuva intensa”, ressaltou.

Tecnologia de ponta

As novas estações seguem os padrões internacionais do Inmet e da Organização Mundial de Meteorologia (OMM). São equipadas com sensores de alta precisão para medir temperatura, umidade, vento, radiação solar, pressão atmosférica e índice pluviométrico. Toda a estrutura é alimentada por energia solar, com torres de 10 metros, sistema de proteção contra raios e transmissão de dados via satélite.

Dados acessíveis à população

As informações captadas estarão disponíveis tanto na plataforma do Inmet quanto no site oficial do Cemtec/MS, democratizando o acesso aos dados climáticos. “Trata-se de um avanço significativo para Mato Grosso do Sul. Estamos ampliando nossa capacidade de resposta, fortalecendo a ciência e oferecendo um serviço essencial à população e à economia do Estado”, concluiu Jaime Verruck.