Com 35 novos casos em um ano, Campo Grande reforça rastreamento da hanseníase

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Campo Grande oferece teste rápido para identificar exposição à hanseníase (Foto: PMCG)

Contactantes de pacientes podem fazer teste rápido disponível pelo SUS

Tratada por décadas como um assunto cercado de estigma, a hanseníase segue como um desafio de saúde pública no Brasil — e os números ajudam a explicar por quê. O país ocupa hoje a segunda posição no ranking mundial de casos da doença. Em Campo Grande, a estratégia para frear a transmissão inclui um teste rápido oferecido gratuitamente a pessoas que tiveram contato direto com pacientes diagnosticados.

O exame, disponível na rede pública de saúde há cerca de três anos, identifica em menos de 15 minutos se houve exposição à bactéria causadora da hanseníase. Até agora, 93 contactantes já passaram pela testagem na capital sul-mato-grossense, todos com resultado negativo.

Com 35 novos casos em um ano, Campo Grande reforça rastreamento da hanseníase

Segundo o responsável técnico pela vigilância epidemiológica da doença, Michael Cabanhas, o teste é indicado após avaliação clínica detalhada. “Primeiro verificamos se há sinais ou sintomas. Quando não existe lesão ou não é possível fechar um diagnóstico clínico, o contactante realiza o teste rápido para identificar se já teve contato com a bactéria”, explica.

Caso o resultado seja positivo, a pessoa não inicia tratamento imediatamente, mas passa a ser acompanhada por cinco anos. O objetivo é identificar precocemente o surgimento de lesões características da doença e evitar complicações.

Somente no último ano, Campo Grande registrou 35 novos casos de hanseníase. Ao todo, 68 pacientes estiveram em acompanhamento no período, sendo que a maioria já apresentava múltiplas lesões no momento do diagnóstico — um indicativo de que a doença ainda está sendo identificada tardiamente.

A hanseníase é transmitida pelas vias respiratórias, por meio da fala, tosse ou espirro, mas exige contato íntimo e prolongado para o contágio, como convivência na mesma residência ou no mesmo ambiente de trabalho. Por isso, pessoas que mantêm esse tipo de vínculo com pacientes diagnosticados precisam de acompanhamento contínuo, com atenção especial ao surgimento de manchas ou alterações na sensibilidade da pele.

Michael reforça que tanto o tratamento quanto o acompanhamento dos contactantes são feitos nas próprias unidades de saúde. “Quando surge um novo caso que ainda não está em tratamento, o contactante deve procurar a unidade de referência da região onde mora para que seja feita a investigação”, orienta.

Dados e tratamento

A testagem rápida e o tratamento da hanseníase são oferecidos gratuitamente pelo SUS. Seguir corretamente o esquema terapêutico é fundamental, já que a transmissão da doença é interrompida cerca de 24 horas após o início do tratamento.

Entre os principais sinais de alerta estão manchas na pele — que podem ser avermelhadas, acastanhadas ou esbranquiçadas — associadas à diminuição da sensibilidade, redução dos pelos e do suor. Também podem ocorrer perda de força muscular em face, mãos e pés, além do surgimento de nódulos, que em alguns casos são dolorosos.

Em Campo Grande, parte dos pacientes ainda procura atendimento quando a doença já deixou sequelas irreversíveis. No último ano, dos 68 pacientes acompanhados, 54 apresentavam múltiplas lesões, enquanto apenas 14 tinham uma ou poucas manchas pelo corpo. Do total, 35 eram casos novos.