Com 6,2% da área colhida, MS enfrenta desafios climáticos na safra de soja

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Safra de soja começa a ganhar ritmo, mas segue abaixo do ano passado

Maioria das lavouras é considerada boa, mas déficit hídrico persiste na região do bolsão

A colheita da soja começou a ganhar ritmo em Mato Grosso do Sul, mas ainda avança de forma desigual entre as regiões produtoras. Levantamento divulgado nesta terça-feira (10) pela Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja-MS) aponta que 6,2% da área acompanhada já foi colhida no estado.

Os dados são resultado de consultas realizadas por técnicos junto a produtores, sindicatos rurais e empresas de assistência técnica nas regiões norte, centro e sul. Os gráficos de evolução mostram que o Sul concentra o ritmo mais acelerado das operações, enquanto o Centro apresenta avanço intermediário. No Norte, a colheita ocorre de forma mais pontual, influenciada pelo calendário mais tardio e pelas condições climáticas recentes.

Apesar do avanço no início de fevereiro, o índice ainda está abaixo do registrado na safra passada. Em janeiro, o excesso de umidade intercalado com períodos de estiagem provocou atrasos nas operações, reflexo que ainda impacta parte das lavouras.

De acordo com o levantamento técnico, a maior parte das áreas apresenta boas condições. Do total avaliado, 67,8% das lavouras são classificadas como boas, 20,9% como regulares e 11,2% como ruins. As regiões Norte e Oeste concentram os melhores resultados, com percentuais de áreas boas variando entre 78,7% e 86,9%.

No recorte regional, o Sul registra o maior percentual de áreas regulares, o que ajuda a explicar o ritmo mais cauteloso da colheita. Centro e Sudoeste apresentam equilíbrio maior entre áreas boas e regulares, enquanto o Sudeste mantém predominância de lavouras em boas condições, apesar de pontos isolados com restrição hídrica.

O clima segue como fator decisivo para o andamento dos trabalhos. Em dezembro de 2025, houve grande variação no volume de chuvas. Dos 50 pontos monitorados, 23 registraram precipitação abaixo da média histórica, 26 acima e um dentro da normalidade. O maior acumulado foi em Mundo Novo, com 439 milímetros — 144% acima da média do período.

O índice padronizado de precipitação aponta redução na intensidade da seca em relação ao mês anterior, mas ainda indica déficit hídrico na região do bolsão, com índices entre -1,3 e abaixo de -1,6 nas escalas de três, seis e doze meses. No Centro-Sul, os indicadores mostram excedente de chuva no curto prazo.

Para o trimestre entre fevereiro e abril, a previsão climática indica chuvas irregulares e volumes abaixo da média histórica em Mato Grosso do Sul. As temperaturas devem ficar próximas ou levemente acima da média, com tendência de calor mais intenso no noroeste do estado.

O modelo climático aponta ainda 86% de probabilidade de neutralidade do fenômeno El Niño no período, cenário que reforça a expectativa de variação regional no clima e mantém incertezas sobre o ritmo da colheita nas próximas semanas.