A Santa Casa de Campo Grande repactuou a dívida bancária da instituição com diminuição dos juros de média de 20% para 8% ao ano. A operação foi enquadrada no programa Caixa Hospitais e o decréscimo dos juros acarretará em uma diminuição expressiva no desembolso mensal.
Com a operação, cinco dos seis financiamentos bancários com juros entre 16% e 23% foram quitados com um novo em taxas muito inferiores. O desembolso mensal que era de R$ 4.93 milhões fica reduzido a R$ 2.7 milhões, com parcelas decrescentes até R$ 1.5 milhão no final do financiamento.
O financiamento não amortizado com a operação já contava com juros baixos, por isso ficou fora. Além da queda no desembolso, a operação ainda permite que o hospital ponha em dia os salários dos médicos das categorias pessoa jurídica e autônomos que estão atrasados desde novembro de 2020.
A repactuação bancária e a renovação do Convênio como o Poder Público, efetivada há duas semanas, fazem parte do plano de recuperação financeira que a instituição vem desenvolvendo a fim de mitigar o déficit mensal de cerca de R$ 8 milhões que registra. E também faz parte do plano de cortes de despesa e um programa de demissão para ajustamento do caixa.
O objetivo da diretoria é que o déficit seja diminuído em mais de R$ 5 milhões a curto prazo, seguido de ações de médio prazo para ampliação da economia até o equilíbrio das contas. O plano de recuperação foi apresentado às Secretarias de Saúde e de Finanças do município pelo diretor de administração e finanças do hospital, João Carlos Marchezan, há 15 dias, e recebeu o apoio das pastas.
O secretário municipal de finanças, Pedro Pedrossian Neto, se mostrou entusiasmado com a proposta e vem acompanhando o andamento do projeto. “A atitude da Santa Casa é louvável e tem o nosso apoio, pois vislumbra uma realidade que afasta o hospital da condição de colapso iminente em que estava”, disse Pedrossian.
O presidente da Santa Casa, Heitor Rodrigues Freire, disse que a diretoria está unida no ideal de mudar a relação da instituição com as contas. “Não existe outra opção para a administração, ou fazemos o dever de casa, ou o hospital entra em colapso”, disse Heitor Freire.
CAIXA Hospitais
A repactuação do contrato com a Caixa Econômica Federal foi firmada no final de junho de 2021, tornando possível a migração de financiamentos com outras instituições financeiras para o programa CAIXA Hospitais, uma linha de crédito destinada às entidades filantrópicas e filiais de entidades não filantrópicas conveniadas com o SUS que tenham recursos financeiros a receber do Ministério da Saúde (MS), através do Fundo Nacional de Saúde (FNS), referentes aos serviços ambulatoriais e de internações hospitalares prestados ao Sistema Único de Saúde (SUS).
A importância dessa negociação foi destacada pela superintendente executiva da Caixa Econômica Federal, Larissa Ramos, no dia da assinatura. “Foram mais de 15 meses de contato e que hoje pode ser finalizado de uma forma muito significativa. Nós temos um compromisso de sempre apoiar hospitais, e assim também contribuir com a sua funcionalidade, ao serviço prestado e a sociedade”, finalizou.
Prestigiaram a assinatura da repactuação, os membros da diretoria corporativa da Santa Casa, o gerente regional da Caixa Econômica Federal, assessoria jurídica e superintendência da Gestão Médico-hospitalar da instituição. Além dos demais já citados acima, na matéria.



















