
Humap tem reserva limitada enquanto rede estadual amplia coleta e número de bebês atendidos
Mesmo com o aumento nas doações de leite humano em Mato Grosso do Sul, o principal banco de leite de Campo Grande entrou em alerta. O estoque disponível no Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS) é suficiente para apenas três dias, cenário que acende o sinal de atenção para a necessidade urgente de novas doadoras.
Dados da Secretaria de Estado de Saúde mostram que 2025 registrou crescimento no volume coletado em quatro dos cinco bancos de leite humano do Estado. Ao todo, as unidades integradas à Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano ultrapassaram a marca de 7 mil litros coletados neste ano, consolidando uma estrutura considerada estratégica para a saúde neonatal sul-mato-grossense.
No Banco de Leite do Hospital Universitário da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (HU-UFMS), a coleta passou de 1.036,1 litros em 2024 para 1.104,1 litros em 2025. Na Santa Casa de Campo Grande, o volume aumentou de 1.609,6 para 1.771,2 litros no mesmo período.
Já o Banco de Leite Humano Dr. João Aprígio, da Maternidade Cândido Mariano, registrou um dos maiores crescimentos, saltando de 2.043,2 para 2.350,2 litros coletados. O número de doadoras também subiu, passando de 1.779 para 1.923 mulheres.
Em Dourados, o Hospital Universitário da UFGD ampliou a coleta de 1.501,5 para 1.567,8 litros. O Hospital Regional de Mato Grosso do Sul manteve a assistência, com 464,5 litros distribuídos em 2025, além de aumento no número de recém-nascidos atendidos, que passou de 623 em 2024 para 647 neste ano.
O leite humano doado é coletado, testado e pasteurizado antes de ser encaminhado às unidades neonatais. O alimento é essencial principalmente para bebês prematuros ou internados em UTIs, contribuindo para prevenção de infecções, ganho de peso adequado e redução do tempo de internação.
Política pública que salva vidas
A secretária-adjunta de Estado de Saúde, Crhistinne Maymone, afirma que os números refletem o fortalecimento das políticas públicas de incentivo ao aleitamento materno.
Segundo ela, cada litro coletado representa uma rede estruturada, envolvendo profissionais capacitados, mães doadoras e recém-nascidos que dependem do alimento para sobreviver. O investimento nos bancos de leite, destaca, impacta diretamente na redução da mortalidade infantil e na qualidade da assistência neonatal.
Para o gerente de Alimentação e Nutrição da SES, Anderson Holsbach, a amamentação também está ligada à segurança alimentar e nutricional desde os primeiros meses de vida. Ele ressalta que o incentivo ao aleitamento ajuda a prevenir deficiências nutricionais, excesso de peso e doenças crônicas ao longo da vida.
Rede começa no pré-natal
O fortalecimento da doação começa ainda durante o pré-natal e segue pela Atenção Primária à Saúde (APS), considerada porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS).
De acordo com a referência técnica em aleitamento materno da SES, Liliane Rodrigues, o banco de leite vai além da coleta. O serviço também oferece acolhimento, orientação e apoio às mães, garantindo suporte contínuo durante o período de amamentação.
Apesar do crescimento nas doações em todo o Estado, ela alerta que situações pontuais de estoque baixo ainda ocorrem, como no Humap, onde o leite disponível pode acabar em poucos dias. A orientação é que mães com excesso de produção procurem os bancos de leite para realizar a doação.
Encontro nacional reforça mobilização
O protagonismo de Mato Grosso do Sul na área deve ganhar destaque nacional entre os dias 26 e 30 de abril, com a realização do XVII Encontro Nacional de Aleitamento Materno e do VII Encontro Nacional de Alimentação Complementar Saudável.
A programação reunirá especialistas, profissionais da saúde e mães, além do ato público “Mil Mães Amamentando”, previsto para a abertura do evento.
Mesmo diante do avanço nos índices de coleta, o Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian reforça que o momento ainda exige mobilização. Novas doações são consideradas essenciais para garantir o atendimento contínuo aos recém-nascidos internados que dependem exclusivamente do leite humano para a recuperação.










