Confira como foi a 1ª noite de desfiles das Escolas de Samba de Corumbá

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Foto: Ayrton Benites/PMC

Aconteceu na noite de domingo (15) para segunda-feira (16) a primeira parte dos desfiles das escolas de samba do Carnaval de Corumbá. Ao todo, cinco agremiações estiveram passando pela avenida da Passarela do Samba.

Segundo a Liga Independente das Escolas de Samba de Corumbá (Liesco), cada escola teve de 50 a 70 minutos para completar o desfilar. O corpo de jurados é formado por 16 integrantes, com dois avaliadores por quesito e um coordenador.

São julgados samba-enredo, fantasia, bateria, comissão de frente, alegorias, mestre-sala e porta-bandeira, enredo e harmonia e evolução. As notas variam de 8,5 a 10, com possibilidade de pontuação decimal.

No play abaixo você pode assistir na íntegra o desfile:

Veja como foi o desfile de cada escola

Vila Mamona

Vila Mamona abriu desfiles das escolas de samba contando a criação do mundo
Foto: Ayrton Benites/PMC

A primeira escola foi a Unidos da Vila Mamona, que apresentou um enredo inspirado na cosmogonia tupi guarani. A agremiação levou para a avenida o enredo “Nhe’e Porã. O sopro sagrado que gera a vida: a mística tupi na criação do mundo”.

A proposta que buscou narrar a origem do mundo a partir da espiritualidade tupi guarani, com forte presença simbólica indígena e referências à relação entre natureza, divindades e humanidade.

O desfile reuniu cerca de 650 componentes, distribuídos em alas, alegorias e tripés, em uma narrativa que apresentou elementos mitológicos, figuras divinas e a formação do mundo segundo a tradição ancestral.

O destaque foi a natureza como eixo central da narrativa e apresentou referências a elementos como terra, água, fogo e ar. Outro ponto foi a valorização da cultura local e artistas da cidade, além da intenção de reafirmar a ligação entre o carnaval pantaneiro e a identidade cultural da população. 

A Pesada

A Pesada levou à avenida enredo sobre sonho infantil e memórias da infância
Foto: Clóvis Neto/PMC

A escola de samba A Pesada foi a segunda a desfilar e levou o enredo “Voar é com os pássaros, sonhar é com a Pesada. Uma viagem no sonho infantil”. A apresentação apostou em narrativa lúdica para contar a história de um adulto que, em sonho, revive a própria infância guiado pela avó e pelas lembranças afetivas.

O desfile foi estruturado como uma viagem simbólica pela memória. A comissão de frente abriu a apresentação com a representação do livro de histórias e do baú de lembranças, elementos que conduziam o personagem ao túnel do tempo e ao universo da imaginação. A proposta visual destacou brinquedos, contos infantis e figuras do imaginário popular como forma de reconstruir o olhar infantil.

Dividida em setores temáticos, a escola apresentou primeiro o retorno às memórias de infância, seguido por alas que retrataram o circo e o parque de diversões como espaços centrais do sonho infantil. Na parte final, o desfile abordou o futuro e a tecnologia, incluindo referências à inteligência artificial e ao impacto do mundo digital na vida das crianças, com mensagem de alerta e proteção.

Com cerca de mil componentes distribuídos em 14 alas, a agremiação levou para a avenida carros alegóricos que representaram o circo, o parque e o universo tecnológico. O desfile foi desenvolvido pelo carnavalesco Lylyany Mendes e integrou elementos religiosos e simbólicos ligados ao padroeiro da escola no encerramento.

Major Gama

Unidos da Major Gama levou enredo sobre sustentabilidade e preservação do Pantanal
Foto: Renê Marcio Carneiro/PMC

A Unidos da Major Gama apresentou na Avenida o enredo “Do invisível ao brilho, um futuro sustentável”, em que destacou a preservação ambiental, a consciência ecológica e a esperança em soluções coletivas para o planeta.

A apresentação abordou a relação entre sociedade e natureza, com destaque para a importância do Pantanal como patrimônio ambiental e cultural. O desfile mostrou a exuberância do bioma, mas também retratou ameaças como queimadas, poluição, consumo excessivo e destruição de habitats.

A escola construiu a narrativa a partir da ideia de transformação. Alas e alegorias enfatizaram o papel de catadores, recicladores, artesãos e povos tradicionais como agentes de preservação. A proposta visual apresentou ainda alternativas consideradas sustentáveis, como replantio, energias renováveis e práticas de produção com menor impacto ambiental.

Segundo a agremiação, o desfile buscou transmitir a mensagem de que “cada gesto consciente pode ajudar a salvar o mundo”, reforçando o tom educativo do enredo. A simbologia da pomba da paz, marca da escola, encerrou a apresentação com a defesa de cooperação e responsabilidade ambiental.

Acadêmicos do Pantanal

Acadêmicos do Pantanal trouxe enredo sobre jogos e destino para a avenida
Foto: Ayrton Benites/PMC

A quarta escola a desfilar foi a Acadêmicos do Pantanal, que apresentou o enredo “Embaralhe as cartas, gire a roleta, role os dados. A sorte estava lançada”. A proposta abordou a história dos jogos ao longo do tempo e usou a temática como metáfora para o percurso humano em busca de felicidade, escolhas e superação.

Segundo a sinopse da escola, a apresentação partiu da ideia de que a vida pode ser entendida como um grande jogo, no qual estratégia, sorte e decisões moldam o destino das pessoas. O desfile percorreu diferentes tipos de jogos, dos tradicionais de tabuleiro e cartas às apostas e jogos eletrônicos, destacando sua presença em diversas culturas e períodos históricos.

Na avenida, a narrativa visual foi estruturada em setores que representaram modalidades distintas, como xadrez, dominó, bingo, roleta e videogames. As alegorias e fantasias buscaram traduzir conceitos como risco, planejamento, competição e esperança, elementos centrais do enredo.

Com cerca de 500 componentes, quatro carros alegóricos e 16 alas, a escola apostou em um desfile que combinou referências lúdicas e reflexões simbólicas sobre o “jogo da vida”, encerrando sua passagem com a mensagem de perseverança e confiança no futuro.

Caprichosos

 Caprichosos fechou desfiles do domingo de Carnaval exaltando forças da natureza
Foto: Clóvis Neto/PMC

A Caprichosos de Corumbá apresentou o enredo “No coração de cada lenda reside uma verdade oculta esperando ser descoberta”. A proposta convidou o público a mergulhar no universo das narrativas populares, exaltando a força das tradições, da espiritualidade e da cultura ancestral presentes na identidade brasileira.

O samba-enredo, assinado por Doum Guerreiro, Marcelo Guimarães e Robinho da Caprichosos, destacou a lenda do Tamba-Tajá, símbolo de amor, devoção e mistério nas matas brasileiras. A composição narra a história do guerreiro indígena e sua amada, transformando dor e saudade em poesia, sob o brilho da lua cheia e a força dos elementos da natureza.

A escola também valorizou a herança africana e os saberes de cura, ressaltando a fé como elemento de proteção e resistência. Referências como o Rio Negro, as Espadas de São Jorge e o “mestre curador” reforçam a conexão entre espiritualidade, natureza e proteção, elementos que compõem a narrativa central do desfile.

Com versos que convidam o público a viajar “pelos encantos de uma lenda popular”, a Caprichosos apresentou um espetáculo marcado por emoção, simbolismo e identidade cultural. A proposta reafirmou o compromisso da agremiação em levar para a avenida um enredo que une tradição, fé e pertencimento no maior espetáculo da cultura corumbaense.