Aconteceu na noite de ontem (16) e a madrugada desta terça-feira (17) a segunda parte do desfile das escolas de samba de Corumbá. Ao todo, cinco agremiações levaram seu colorido para a Passarela do Samba, encerrando a programação oficial do festejo.
Pela regra, cada escola tem entre 50 a 70 minutos para desfilar. O corpo de jurados é formado por 16 integrantes, com dois avaliadores por quesito e um coordenador.
São julgados samba-enredo, fantasia, bateria, comissão de frente, alegorias, mestre-sala e porta-bandeira, enredo, harmonia e evolução. As notas variam de 8,5 a 10, com possibilidade de pontuação decimal.
No play abaixo você pode assistir na íntegra o desfile:
Veja como foi o desfile da segunda noite:
Imperatriz

O GRES Imperatriz Corumbaense abriu a segunda noite levando a celebração de sua trajetória. Com o enredo “Da Herança aos Imperadores do Amanhã, o Baile de Debutantes da Imperatriz! 15 anos de desfile!”, a agremiação transformou a avenida em um grande baile de gala, comemorando seus 15 carnavais com brilho e grandiosidade.
Fundada em 2007, a escola desfilou com cerca de 600 componentes, distribuídos em 16 alas, quatro alegorias, bateria, passistas e baianas. As cores branco, vermelho, amarelo e verde dominaram fantasias e carros alegóricos, simbolizando a identidade construída ao longo dos anos. A comissão de frente encenou a recepção do Rei Momo à jovem Imperatriz, marcando simbolicamente o início do baile que conduziu o público por uma viagem entre passado, presente e futuro.
O desfile revisitou enredos que marcaram a história da agremiação, homenageando personalidades, movimentos culturais, causas sociais e figuras importantes para a identidade corumbaense. Cada ala representou um capítulo dessa trajetória, resgatando memórias que ajudaram a consolidar a Imperatriz como uma das forças do carnaval local. O samba-enredo, de autoria de Victor Raphael, embalou a apresentação com versos que exaltaram a fé, a cultura popular, a diversidade e o compromisso social da escola.
As alegorias reforçaram o caráter comemorativo do desfile. O abre-alas saudou o Rei do Carnaval, enquanto outros carros destacaram as cores da escola e reverenciaram aqueles que ajudaram a construir sua história. O encerramento trouxe a alegoria “Os Imperadores do Amanhã”, evidenciando os projetos sociais desenvolvidos pela agremiação e a aposta nas novas gerações como guardiãs do legado carnavalesco.
Estação Primeira

A GRES Estação Primeira do Pantanal levou o enredo “Entrelaços: Heranças Ancestrais”, a agremiação apresentou um espetáculo potente, exaltando as raízes africanas que moldaram a identidade cultural brasileira. Cerca de 800 componentes, distribuídos em 17 alas, deram vida a um cortejo vibrante, repleto de simbolismo, cores e resistência.
Logo no primeiro setor, “A Travessia”, a escola emocionou o público ao retratar a dor e a coragem do povo africano durante o tráfico transatlântico. A comissão de frente, representando a grande Calunga, trouxe o mar como símbolo de sofrimento e espiritualidade, enquanto o carro alegórico do navio tumbeiro impactou pela força visual. O casal de mestre-sala e porta-bandeira defendeu o pavilhão com elegância, reforçando a conexão com a ancestralidade africana.
No segundo setor, a Estação destacou a influência da cultura afro-brasileira na culinária e na religiosidade. Alas coloridas celebraram pratos típicos, ervas sagradas e o sincretismo religioso, culminando em um carro alegórico que homenageou os orixás e os líderes espirituais da comunidade. A bateria, com 60 ritmistas, sustentou o desfile com cadência firme, enquanto a rainha brilhou à frente dos tamborins, simbolizando sabedoria e resistência.
Encerrando o desfile, a escola mergulhou na música, na dança e na herança cultural deixada pelos povos africanos. Alas dedicadas ao samba, à capoeira, ao lundu e à resistência negra transformaram a avenida em um grande manifesto contra o preconceito e a favor da valorização da identidade afro-brasileira.
O último carro, representando os “Entrelaços”, sintetizou a mensagem do enredo: passado e presente caminham juntos, fortalecendo a cultura e reafirmando que o Carnaval é, acima de tudo, celebração, memória e luta.
Império

A tradicional Grêmio Recreativo Escola de Samba Império do Morro cruzou a Passarela do Samba reafirmando sua grandeza no Carnaval de Corumbá 2026. Com o enredo “Entre Devaneios e Mistérios – A Vida é um Sonho”, a verde e rosa levou para a avenida um espetáculo marcado por emoção, cores vibrantes e uma narrativa lúdica que conduziu o público por uma verdadeira viagem ao universo da imaginação.
O desfile teve início com o imponente abre-alas “Encontro com Morfeu”, trazendo o deus do sono como guardião da jornada onírica proposta pela escola. Da engrenagem da vida aos contrastes entre dia e noite, cada ala apresentou um capítulo dessa travessia pelos sonhos, mesclando fantasia e reflexão. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira traduziu, em bailado elegante, o encontro entre luz e sombra, sonho e pesadelo, arrancando aplausos da arquibancada.
No setor infantil, a Império encantou ao revisitar brinquedos, guloseimas, pipas e o sonho de ser rei do futebol, numa explosão de cores e nostalgia. O público vibrou com a passagem da bateria “Operários dos Sonhos”, que levantou a avenida sob o comando do mestre João Victor Ibarra, enquanto a rainha Raiane Oliveira, como uma vibrante Colombina, esbanjou carisma e sintonia com o ritmo contagiante.
Na reta final, o circo, as artes e o próprio samba ganharam protagonismo, culminando na alegoria “Coroa da Império é Meu Sonho Real”. Em verde e rosa reluzentes, a escola celebrou sua trajetória vitoriosa e reafirmou o desejo de seguir soberana no carnaval corumbaense. Ao deixar a avenida, a Império do Morro mostrou que, entre devaneios e mistérios, sonhar é também acreditar e transformar o sonho em espetáculo.
Marquês

A Marquês de Sapucaí emocionou o público ao cruzar a avenida no Carnaval 2026 com um desfile vibrante e carregado de significado. Com o enredo “Herança Africana – A diversidade de um continente pluricultural na cultura brasileira”, a escola transformou a passarela do samba em um grande palco de celebração às raízes africanas que moldaram a identidade do Brasil. Sob a assinatura do carnavalesco Kiro Panovitch, a agremiação apresentou uma África de glórias, cores, ritmos e ancestralidade.
Logo na comissão de frente, “Kizomba – A festa de uma raça”, a escola apresentou o espírito de confraternização e resistência do povo africano. O primeiro casal, representando Zumbi dos Palmares e Dandara, reforçou o símbolo de luta e liberdade que ecoou ao longo de todo o desfile. Com 18 alas, quatro alegorias e cerca de 550 componentes, a Marquês mostrou organização e riqueza estética em cada detalhe.
A bateria “O Afoxé”, com 70 ritmistas, embalou a avenida ao som do ijexá, exaltando as tradições de matriz africana. A rainha brilhou com fantasia luxuosa, enquanto alas temáticas homenagearam orixás como Exu, Ogum, Iemanjá, Xangô, Oxum e Oxalá, traduzindo em cores, tecidos e materiais sustentáveis a força espiritual e cultural do continente africano. Cada setor reforçou a presença da religiosidade, da arte e da resistência como pilares da formação brasileira.
A culinária afro-brasileira também ganhou destaque na Ala das Baianas, que exaltou sabores como o acarajé e o calulu, além de lembrar ingredientes trazidos pelas mulheres negras durante o período colonial. Manifestações culturais como capoeira, congada, maracatu e bumba meu boi completaram a narrativa, mostrando como a herança africana se perpetuou nas festas populares e no cotidiano do país.
No grandioso encerramento, a alegoria “Suas Majestades: o Samba e o Carnaval” reafirmou que o ritmo símbolo da maior festa popular brasileira tem raízes nos batuques africanos. Multicolorida e festiva, a última imagem deixou clara a mensagem da escola: a cultura brasileira é profundamente marcada pela ancestralidade africana.
A Marquês de Sapucaí encerrou sua apresentação celebrando a diversidade, a resistência e o orgulho de uma herança que pulsa forte no coração de Corumbá.
Mocidade

Já na madrugada da terça-feira, a Mocidade Independente da Nova Corumbá cruzou a Avenida General Rondon levando garra, emoção e o orgulho de uma comunidade que transformou o samba em manifesto cultural. Mesmo com o relógio avançando, a escola mostrou que o brilho do carnaval não tem hora para acabar e apresentou um desfile vibrante, sustentado pela força de seus componentes e pelo canto firme da arquibancada.
Com fantasias luxuosas e alegorias bem acabadas, a agremiação apostou na plasticidade e na evolução compacta para manter a energia do início ao fim. Cada ala entrou na avenida com coreografias marcadas e organização visível, demonstrando o trabalho intenso realizado nos barracões e ensaios técnicos. O conjunto estético arrancou aplausos e confirmou a identidade visual já característica da escola.
A bateria, pulsante e cadenciada, foi um dos grandes destaques da madrugada. Mantendo o ritmo com precisão, sustentou o samba-enredo com potência e empolgação, garantindo que os componentes evoluíssem com segurança. O casal de mestre-sala e porta-bandeira também brilhou, defendendo o pavilhão com elegância e sintonia, arrancando gritos de “é campeã” do público presente.
Ao deixar a avenida, a Mocidade da Nova Corumbá reafirmou sua tradição no carnaval pantaneiro. O desfile foi marcado por emoção e amor à cultura popular, mostrando que, independentemente do horário, a escola entra na passarela para fazer história e manter viva a chama do samba em Corumbá.




















