Conselho da Caixa confirma afastamento de 3 vice-presidentes

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Publicado em 23/01/2018 18h40

Amparado por novo estatuto, Conselho da Caixa confirma afastamento de 3 vice-presidentes

Com mudança do estatuto, na última sexta-feira, Conselho de Administração da Caixa passou a ter a prerrogativa de mudanças na direção. Vice-presidentes foram citados em auditoria que apontou riscos consideráveis ao banco por interferência política.

G1

O Conselho de Administração da Caixa Econômica Federal se reuniu nesta terça-feira (23) em Brasília e confirmou o desligamento de tres diretores da instituição financeira, e a restituição do cargo de um diretor.

Na semana passada, quatro diretores foram afastados na semana passada pelo presidente Michel Temer. Nesta terça-feira, a instituição informou que foram destituídos dos cargos os seguintes vice-presidentes: Antônio Carlos Ferreira (Corporativo); Roberto Derziê de Sant’Anna (Governo); e Deusdina dos Reis Pereira ( Fundos de Governo e Loterias).

“Deliberou-se, ainda, restituir ao cargo o vice-presidente de Clientes, Negócios e Transformação Digital, José Henrique Marques da Cruz, em razão da constatação, em investigações interna e independente, de ausência de elementos suficientes para configuração de sua responsabilidade”, informou o banco público.

A decisão só pôde ser tomada porque houve mudança no estatuto do banco público na última sexta-feira, adequando-o à nova lei das estatais. Com essa alteração, o Conselho da Caixa passou a ter a prerrogativa de nomear e de afastar vice-presidentes, algo antes restrito ao presidente da República.

Os vice-presidentes afastados do banco foram indicados por partidos políticos como o PR, o PRB e o PMDB. Entenda o que motivou o afastamento de quatro vice-presidentes da Caixa.

A decisão foi anunciada após o Ministério Público Federal do Distrito Federal e o Banco Central recomendarem ao governo federal o afastamento não somente deles, mas de todos 12 vice-presidentes da Caixa.

Os pedidos foram apresentados em razão das suspeitas de irregularidades na Caixa investigadas pelo MPF e pela Polícia Federal. Deflagrada em 2016, a Operação Greenfield investiga desvios em fundos de pensão de bancos e de estatais.

Por meio dessa investigação, a PF e o MPF descobriram irregularidades no Fundo de Investimentos do FGTS (FI-FGTS), vinculado à Caixa, e deflagraram uma segunda operação, batizada de Sépsis.

Processo ‘competitivo’ para todos vice-presidentes

A Caixa Econômica Federal informou ainda que decidiu o “início imediato” de processo competitivo de seleção, “com apoio de empresa especializada, para todos os cargos de vice-presidente, nos termos previstos no novo Estatuto do banco”. Este processo de seleção, acrescentou a Caixa, ocorrerá nos próximos 12 meses.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, já havia informado recentemente que os vice-presidentes da Caixa Econômica Federal que não foram afastados por determinação do presidente Michel Temer na semana passada também passarão por uma avaliação técnica para permanecer no cargo.

“A primeira etapa do processo de seleção abrangerá as vice-presidências Corporativo; Governo; Fundos de Governo e Loterias e Administração e Gestão de Ativos de Terceiros. Foi aprovado ainda o início do processo de contratação de empresa especializada para rever a estrutura organizacional da Caixa”, informou a instituição, por meio de nota à imprensa.

Por meio de seu blog, o jornalista Valdo Cruz, da GloboNews e colunista do G1, informou que a Caixa Econômica Federal tem mais vice-presidentes do que seus concorrentes. Enquanto a instituição tem doze vice-presidentes, o Banco do Brasil, também controlado pelo governo federal, tem nove. No caso dos bancos privados, o número também é menor. O Bradesco tem sete. O Itaú, cinco, mas com dois diretores-gerais abaixo da presidência.

Articulação política

Articuladores políticos do governo alertaram o Palácio do Planalto que as mudanças no Estatuto da Caixa poderão representar o fim da possibilidade de a reforma da Previdência ser aprovada no Congresso.

O ultimato dos articuladores foi dado após o banco sinalizar que as novas indicações de dirigentes deverão ser feitas pelo Conselho de Administração da Caixa e não mais pelo presidente da República. Ou seja, em tese, passará a ser uma indicação técnica, não política. Desta forma, partidos como PR, PP, PRB e PMDB perderiam o espaço que têm no banco.

Questionado nesta semana sobre o impacto de mudanças na direção de empresas estatais no apoio ao governo no Legislativo, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, respondeu que o governo está apenas “seguindo a lei”.

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