Consumo deve perder força no 2º trimestre e preocupa varejo, diz estudo

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(Foto: PMCG)

Empresas podem enfrentar queda nas vendas com consumidor mais cauteloso e endividado

Mesmo com o avanço da renda e a manutenção do pleno emprego no Brasil, o consumo das famílias deve enfrentar um cenário mais difícil no segundo trimestre de 2026, pressionado por juros altos, crédito restrito e aumento da inadimplência. O alerta faz parte de um levantamento do Ibevar (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo) em parceria com a FIA Business School.

O estudo aponta que o ambiente econômico tem levado o consumidor a um comportamento mais cauteloso, o que pode desacelerar o ritmo de compras e afetar diretamente o desempenho de setores como varejo e serviços.

Consumo mais fraco e impacto no varejo

Segundo as projeções, o varejo ampliado — que inclui segmentos como veículos e materiais de construção — deve registrar queda de 1,59% na comparação com o primeiro trimestre. Em relação ao mesmo período de 2025, a expectativa é de leve recuo de 0,09%.

O varejo restrito também deve sentir o impacto da perda de renda disponível e do encarecimento do crédito, refletindo um consumidor mais pressionado financeiramente.

“O segundo trimestre de 2026 deve impor desafios relevantes às empresas, que precisarão competir por uma parcela menor da renda disponível dos consumidores”, afirma Claudio Felisoni, presidente do Ibevar e professor da FIA Business School.

Serviços também mostram sinais de fraqueza

No setor de serviços, apesar de uma aparente estabilidade, o levantamento aponta um cenário de fragilidade. Dos 32 segmentos analisados, 22 devem registrar retração, indicando uma queda mais disseminada da demanda.

Para os pesquisadores, isso mostra um enfraquecimento gradual do consumo, mesmo em áreas tradicionalmente mais resilientes.

Inadimplência cresce e afeta empresas

O impacto já aparece no caixa das empresas. Segundo dados do SPC Brasil, o número de empresas inadimplentes cresceu 12,65% nos 12 meses até fevereiro.

O setor de serviços concentra cerca de 39% das empresas inadimplentes e teve alta próxima de 8% em relação ao ano anterior, sendo um dos mais afetados pela inflação recente.

“Um puxa o outro. Em um cenário econômico como o atual, as empresas precisam se ajustar, o que pode levar ao crescimento da inadimplência. Como o consumidor também enfrenta dificuldades financeiras, a capacidade de pagamento das empresas acaba sendo impactada”, explica João Paulo Travasso Cardoso, do SPC Brasil.

Cenário exige adaptação

Diante do quadro, especialistas defendem maior atenção à gestão financeira e ao controle de riscos.

“O ambiente exige maior eficiência, estratégias mais assertivas e capacidade de adaptação a um mercado marcado por menor apetite ao consumo e maior sensibilidade a preço”, avalia Felisoni.