Conta de luz deve subir 12,6% em MS e pesar mais no bolso do consumidor

20
(Foto: Divulgação)

Reajuste recomendado pela Aneel é quase 10 vezes maior que o do ano passado e supera inflação

A conta de luz deve pesar mais no orçamento das famílias e empresas de Mato Grosso do Sul nos próximos meses. Um reajuste médio de 12,61% na tarifa de energia elétrica, recomendado pela área técnica da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), pode fazer com que consumidores sintam um aumento bem acima da inflação e quase dez vezes maior do que o aplicado no ano passado.

O índice atinge cerca de 1,15 milhão de unidades consumidoras atendidas pela Energisa MS em 74 municípios do estado. Caso seja confirmado pela diretoria colegiada da Aneel, o novo valor passa a valer já no dia seguinte à votação prevista para terça-feira, às 9h.

Na prática, o impacto no bolso dos consumidores será significativo. Para clientes de baixa tensão — categoria que inclui a maioria das residências — o aumento previsto é de 12,49%. Já os consumidores de alta tensão, como indústrias e grandes estabelecimentos comerciais, devem enfrentar reajuste ainda maior, de 12,88%.

O percentual recomendado é quase dez vezes superior ao reajuste médio aplicado em 2025, quando o aumento foi de apenas 1,33%. Naquele ano, a alta para residências ficou em 0,69% e para alta tensão em 3,09%.

Além disso, o reajuste supera com folga a inflação. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses em Campo Grande foi de 2,13% entre fevereiro de 2025 e fevereiro deste ano, segundo o IBGE. Isso significa que a energia elétrica pode subir cerca de seis vezes mais que o avanço geral dos preços, ampliando a pressão sobre o custo de vida.

Segundo a Aneel, os principais fatores que influenciaram o aumento foram os custos ligados à distribuição de energia elétrica e ao pagamento de encargos setoriais — valores destinados ao financiamento de políticas públicas do setor energético. A planilha técnica, no entanto, não detalha por que o reajuste deste ano ficou tão superior ao do ciclo anterior.

A decisão final ainda pode sofrer alterações, já que os índices apresentados servem como base técnica para votação do relatório da diretora Agnes Maria de Aragão da Costa. Somente após a deliberação da agência reguladora os percentuais definitivos serão confirmados.

Comparação com outros estados

Reajustes recentes aprovados pela Aneel em outras distribuidoras também mostram tendência de alta nas tarifas. Em março, consumidores atendidos pela Enel Distribuição Rio tiveram aumento médio de 14,07%, enquanto a revisão tarifária da Light Serviços de Eletricidade elevou as contas em média 8,59% em municípios do Rio de Janeiro.

Como funciona o reajuste

A Aneel prevê dois tipos principais de atualização das tarifas. A Revisão Tarifária Periódica (RTP) é mais ampla e redefine custos eficientes da distribuidora, metas de qualidade e perdas de energia ao longo do ciclo tarifário. Já o Reajuste Tarifário Anual (RTA), aplicado nos anos sem revisão, apenas atualiza valores com base na inflação contratual e outros componentes regulatórios.

Em ambos os casos, são repassados às tarifas custos relacionados à compra e transmissão de energia, além dos encargos setoriais definidos por leis e políticas públicas.

Para consumidores sul-mato-grossenses, o resultado prático deve ser percebido diretamente na fatura mensal — em um momento em que alimentação, combustíveis e serviços já pressionam o orçamento familiar.

*com informações Correio do Estado