“Cordelteca” e “policrise” podem entrar no vocabulário oficial da língua

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Expressões como “marmitório” e “parditude” passam por avaliação da ABL

Termos estão em análise na ABL e precisam comprovar uso estável para serem incluídos no Volp

De palavras nascidas no cotidiano — e até em frases curiosas — ao possível reconhecimento oficial: termos como “cordelteca”, “marmitório” e “policrise” estão na fila para entrar no vocabulário formal da língua portuguesa e podem ganhar registro definitivo nos próximos anos.

As expressões fazem parte de uma lista em análise por lexicógrafos da Academia Brasileira de Letras (ABL), responsáveis pelo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp). O documento estabelece a grafia correta das palavras no português brasileiro e serve como referência normativa.

Entre os termos avaliados estão palavras já usadas em diferentes contextos, como “cordelteca” (acervo de literatura de cordel), “marmitório” (local de refeições simples), “enredista” (criador de enredos), “parditude” (ligada a debates raciais), “policrise” (múltiplas crises simultâneas), “mi-mi-mi” (reclamação considerada excessiva) e “pesquisável” (que pode ser investigado).

A inclusão de novos vocábulos no Volp não depende apenas da popularidade momentânea. Segundo a ABL, é necessário que o termo tenha uso estável e apareça em diferentes tipos de textos, como reportagens, artigos acadêmicos e obras literárias. Além disso, a palavra precisa manter um significado consistente em diversos contextos.

Diferentemente de dicionários como Dicionário Houaiss e Dicionário Aurélio, que registram o uso cotidiano da língua, o Volp não traz definições, mas indica a forma correta de escrita, a classe gramatical e as flexões das palavras.

Para acompanhar a evolução da língua, a ABL mantém um banco de termos em observação, conhecido como Observatório Lexical. Nesse espaço, palavras ficam em análise até que se comprove seu uso consistente ao longo do tempo — um processo que não tem prazo definido.

Exemplos recentes mostram como esse caminho pode variar. Termos como “pejotização” e “terrir” foram incorporados em 2025 após atenderem aos critérios. Já modismos passageiros, como expressões populares em novelas, podem não avançar por falta de uso duradouro.

Outras palavras também estão na chamada “sala de espera”, como “ordinarista”, “preferencialista”, “reclínio” e “refilável”. A decisão final, segundo especialistas, depende menos de regras fixas e mais da forma como a sociedade adota — ou abandona — cada termo ao longo do tempo.